Vania Baldi
University of Aveiro, Departamento de Comunicação e Arte, Faculty Member
- Social Sciences, Cibercultura, Epistemology of the Social Sciences, History of Social Sciences, Antropología cultural, Antropología de la tecnología, and 31 moreAntropología filosófica, Teoría Crítica, Teoría del conocimiento, Filosofía Política, Estética, Sociología, Psicoanálisis, Mimesis, Repetition, Schismogenesis, Self-Reflexivity, Social Media, Filosofía, Cybercultures, Interactive and Digital Media, Sociology of Knowledge, Media Sociology, Media Studies, Big Data, Participatory Culture, Web 2.0, Internet Studies, Sociology Of Technology (Science And Technology Studies), Accelerationism, Storytelling, Interactive Media, Communication, Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) na Educação, Interactive Digital Storytelling, Big Data Visualisation, and Sociology of Translationedit
In the field of communication studies, debates on the experiences and participatory ethics of Internet users in civic and democratic issues stand out more and more. Sometimes limited in its conceptualization, the different approaches to... more
In the field of communication studies, debates on the experiences and participatory ethics of Internet users in civic and democratic issues stand out more and more. Sometimes limited in its conceptualization, the different approaches to the concept of participation lack theoretical elaboration, which reduces also its scope of interpretation in research related to participatory practices in the media. Nico Carpentier, professor and theorist of the concept of participation, has published numerous studies about the concept of participation, in many different social contexts, making it possible to better apprehend the differences between the concepts of access, interaction and participation. He presents the close relationship of participation with the notions of power (following a Foucauldian approach to the notion) and decision-making. Carpentier presents during this interview a summary of his analytical model for the study of media participatory processes, his conception about the use of the notion of power, and the different forms of participation.
Research Interests:
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Resumo O presente artigo visa analisar os desafios sociotécnicos e políticos representados pela fragmentação e polarização dos discursos públicos que atravessam os diferentes espaços info-comunicacionais. A opinião pública perspetiva-se... more
Resumo O presente artigo visa analisar os desafios sociotécnicos e políticos representados pela fragmentação e polarização dos discursos públicos que atravessam os diferentes espaços info-comunicacionais. A opinião pública perspetiva-se como balcanizada por conflitos permanentes entre interpretações e tomadas de posição que dizem respeito a temas de relevância pública. Destaca-se como o intuito desses discursos não é o de gerar um diálogo entre interlocutores para chegar a uma plausível interpretação da realidade, mas o de tornar virais convicções preestabelecidas e assim acentuar o afastamento entre os grupos intervenientes. Nesta perspetiva, afirma-se como os fenómenos sociais ficam transfigurados e pulverizados em micronarrativas radicais, abstratas e incoerentes, deturpando as noções de realidade e verdade. Dentro deste cenário é analisado como os media digitais, através dos seus diferentes filtros, algoritmos, affordances, bots, trolls etc., proporcionam uma intensificação e uma expansão da desordem informacional, que por sua vez se reflete numa ameaça para a vida democrática. Nesse sentido, a distorção dos conteúdos e das formas comunicativas são consideradas como emblemáticas e reforçativas das caraterísticas e tendências principais dos atuais movimentos populistas. Comparando e articulando um conjunto de investigações, dados, hábitos e acontecimentos relativos ao fenómeno sociopolítico do populismo e ao tipo de literacia tecno-cultural predominante na infoesfera pretende-se enquadrar e analisar, através dum prisma interdisciplinar, os desafios societais representados pela emergente sobreposição de questões políticas, tecnológicas e culturais. Se apresentam no fim do texto iniciativas culturais, tecnológicas, jornalísticas e jurídicas que apontam para uma resposta construtiva e criativa à tendência sociotécnica e sociopolítica analisada ao longo do artigo. Abstract This article aims to analyze the sociotechnical and political challenges represented by the fragmentation and polarization of the public discourses that cross the different information-communication spaces. Public opinion is viewed as balkanized by permanent conflicts between interpretations and positions that concern issues of public relevance. It is emphasized that the purpose of these discourses is not to generate a dialogue between interlocutors in order to arrive at a plausible interpretation of reality, but to spread pre-established convictions and thus accentuate the distance between the intervening groups. In this perspective, it is affirmed how social phenomena are transfigured and pulverized in radical, abstract and incoherent micronarratives, distorting the notions of reality and truth. Within this scenario it is analyzed how the digital media, through its different filters, algorithms, affordances, bots, trolls etc., provide an intensification and an expansion of the informational disorder, which in turn is reflected in a threat to the democratic life. In this sense, the distortion of the contents and communicative forms are considered as emblematic and reinforcing the characteristics and main tendencies of the current populist movements. Comparing and articulating a set of investigations, data, habits and events related to the sociopolitical phenomenon of populism and to the type of techno-cultural literacy prevailing in the infrasphere is intended to frame and analyze, through an interdisciplinary prism, the societal challenges represented by the emerging overlap of political, technological and cultural issues. Cultural, technological, journalistic and legal initiatives are presented at the end of the text, which point to a constructive and creative response to the sociotechnical and sociopolitical tendency analyzed throughout the article.
Research Interests:
El artículo apunta a una reflexión sobre los estudios y los discursos prevalecientes en el contexto de la sociedad digital contemporánea. El objetivo es de responder a la propaganda de la ideología 2.0 y a diversas prácticas culturales y... more
El artículo apunta a una reflexión sobre los estudios y los discursos prevalecientes en el contexto de la sociedad digital contemporánea. El objetivo es de responder a la propaganda de la ideología 2.0 y a diversas prácticas culturales y económicas que fomenta, promoviendo una estrategia analítica capaz de diagnosticar los funcionamientos y las implicaciones de los dispositivos y de las gramáticas informacionales, e impulsando la difusión de una crítica tecno-cultural contra la gobernabilidad de las plataformas digitales más influyentes. Se trata de un tema crucial que involucra un cambio radical en nuestras actividades cuotidianas, científicas, económicas y cognitivas. Las ciencias sociales no deben dejar a los especialistas y empresarios del software la gestión de los datos y de los desafíos sociotécnicos contemporáneos, deben promover debates y prácticas para la génesis permanente de la " infodiversidad ".
Research Interests:
Entre plataformas web e aplicações para smartphone encontramos propostas tecnológicas que pretendem aliviar-nos dos tabus mais enraizados na nossa condição humana. De um lado temos propostas para eternizar a nossa existência, para... more
Entre plataformas web e aplicações para smartphone encontramos propostas tecnológicas que pretendem aliviar-nos dos tabus mais enraizados na nossa condição humana. De um lado temos propostas para eternizar a nossa existência, para contornar a angústia do nosso inelutável desaparecimento (e do sentimento de ausência que provoca a recordação dos que já faleceram), de outro lado deparamo-nos com solicitações de gratificação instantânea proporcionada pelas buscas de parceiros digitalmente empacotados em perfis sedutores e potencialmente ao nosso alcance. Comparando sites como boxego.com, thedigitalbeyond. com ou eternal9, serviços movidos pela filosofia que promete que “o coração que parar de bater não deixará de twittar”, com outros serviços móveis como Tinder ou Happn, que promovem combinações amorosas entre desconhecidos, tentar-se-á uma análise dos paradoxos culturais contemporâneos refletidos pelas transformações sociotécnicas. Trata-se, nesse artigo, de refletir sobre alguns novos cenários dos comportamentos infocomunicacionais, questionando a emergência de novos desafios éticos que não remetem estritamente para uma lógica de competências operacionais e informacionais, mas para ambientes digitais que estruturam expetativas e hábitos específicos de interação, sendo essas novas “relações” algoritmicamente mediadas o efeito de uma busca de interatividade camuflada por interação. Temos assim duas dimensões contemporâneas da experiência psicossocial que emergem através das potencialidades facultadas pelas tecnologias digitais, e que nos permitem entender e revelar aspetos ambivalentes e profundos de uma ética e estética “onlife” em constante “mediamorfose”
Research Interests:
É difícil falar de consciência europeia uma vez que nas suas instituições mais representativas não se manifesta, nem parece promover-se, uma consciencialização acerca do ser europeu. Para atingir um tal resultado seria necessário, em... more
É difícil falar de consciência europeia uma vez que nas suas instituições mais representativas não se manifesta, nem parece promover-se, uma consciencialização acerca do ser europeu. Para atingir um tal resultado seria necessário, em primeiro lugar, reconhecer a importância de um projeto continental capaz de cultivar e fundamentar, de forma abrangente, a especificidade cultural da sua visão. Uma visão europeia ética e política, entendida, por exemplo, como resposta original e geral aos dilemas e aos perigos engendrados pela globalização.
Recentemente esta posição foi tomada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck, o qual, no seu livro A Europa Alemã (2013), realçou a ideia de como a Europa deveria desenvolver e representar uma nova “moral mundial”, um “cosmopolitismo europeu”, contra os riscos ecológicos, da pobreza e da injustiça trazidos pela desregulamentada competição global dos mercados financeiros. Para Beck, a força desta vocação ética e política distintiva, focada numa prospetiva e numa estratégia de longo prazo, requereria, ao mesmo tempo, um paralelo redescobrimento das grandes obras culturais e artísticas presentes na história e no território europeu. Este processo multifacetado representaria, portanto, o possível desígnio para um percurso convergente à formação da própria autoconsciência continental.
Recentemente esta posição foi tomada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck, o qual, no seu livro A Europa Alemã (2013), realçou a ideia de como a Europa deveria desenvolver e representar uma nova “moral mundial”, um “cosmopolitismo europeu”, contra os riscos ecológicos, da pobreza e da injustiça trazidos pela desregulamentada competição global dos mercados financeiros. Para Beck, a força desta vocação ética e política distintiva, focada numa prospetiva e numa estratégia de longo prazo, requereria, ao mesmo tempo, um paralelo redescobrimento das grandes obras culturais e artísticas presentes na história e no território europeu. Este processo multifacetado representaria, portanto, o possível desígnio para um percurso convergente à formação da própria autoconsciência continental.
A semântica dos tempos históricos ficou substituída pela ubiquidade pós-histórica, perdeu a sua eficácia explicativa sobre o tempo presente uma vez que este tornou-se identificável com o timeless time. A aceleração técnica e mercantil,... more
A semântica dos tempos históricos ficou substituída pela ubiquidade pós-histórica, perdeu a sua eficácia explicativa sobre o tempo presente uma vez que este tornou-se identificável com o timeless time. A aceleração técnica e mercantil, constitutiva do processo de secularização da modernidade, desempenhou uma força propulsiva na redução da política em administração e da história em comemoração. A evolução dos automatismos tecnológicos e informáticos revela, hoje com mais evidência, a discrepância concreta entre a velocidade do desenvolvimento tecnocientífico e os complexos ritmos de adaptação da cultura. Tecnologia e sociedade não partilham os mesmos tempos: tempos divergentes e em conflito num mundo que, paradoxalmente, perceciona-se como conexo e convergente. Emblema da contemporaneidade pós-democrática é a ênfase nos automatismos inteligentes geridos por algoritmos informatizados. Os dispositivos tecnológicos dos links e de cloud computing articulam uma nova forma de velocidade e poder em rede: apesar de ter um rosto amigável, intuitivo, fluido e aparentemente neutral, esta rede tem poucos grandes nós a constituírem o seu centro e a impor as regras e os ritmos de seleção e acesso no seu seio.
Nesse sentido, recentemente, um teórico dos media e da hipercultura como Byung-Chul Han, no seu livro, "A sociedade do cansaço", caraterizou as doenças típicas da nossa época numa perspetiva «neuronal»: depressão, falta de atenção e hiperatividade (ADHD), síndrome de personalidade borderline (BPD) ou de burnout (BD) são algumas das patologias indicadas como emblemáticas da nossa aspiração ao «poder-fazer» (Können) rápida e ilimitadamente.
Uma «sociedade da prestação» que levaria a um conjunto de «infartos psíquicos», a uma frustração permanente cujas vítimas e perseguidores, prisioneiros e guardiões coincidem. Nesse sentido, no bio-capitalismo contemporâneo, a autoexploração é a forma persistente através da qual se manifestam subjetividades híper-nevróticas e anestesiadas.
Nesse sentido, recentemente, um teórico dos media e da hipercultura como Byung-Chul Han, no seu livro, "A sociedade do cansaço", caraterizou as doenças típicas da nossa época numa perspetiva «neuronal»: depressão, falta de atenção e hiperatividade (ADHD), síndrome de personalidade borderline (BPD) ou de burnout (BD) são algumas das patologias indicadas como emblemáticas da nossa aspiração ao «poder-fazer» (Können) rápida e ilimitadamente.
Uma «sociedade da prestação» que levaria a um conjunto de «infartos psíquicos», a uma frustração permanente cujas vítimas e perseguidores, prisioneiros e guardiões coincidem. Nesse sentido, no bio-capitalismo contemporâneo, a autoexploração é a forma persistente através da qual se manifestam subjetividades híper-nevróticas e anestesiadas.
A tecnologia digital abriu caminho a uma vocação não representativa da imagem fotográfica. Desde que o morphing tornou-se uma variável constante e implícita do processo de edição e fruição das imagens digitalizadas transformou-se a... more
A tecnologia digital abriu caminho a uma vocação não representativa da imagem fotográfica. Desde que o morphing tornou-se uma variável constante e implícita do processo de edição e fruição das imagens digitalizadas transformou-se a relação com o seu referente (o mundo real). O darwinismo tecnológico no ecossistema da comunicação visual determina uma reconfiguração do contrato de fruição entre o mundo fotografado, o fotografável, quem fotografa e os seus fruidores. Mesmo assim, as fotografias continuam a desempenhar funções estéticas e epistémicas que capturam a atenção dos observadores na medida em que as suas imagens são pensadas como elementos de projetos culturais mais abrangentes. Se a imagem fotográfica digital parece pôr em crise o seu tradicional estatuto documental não deixa, todavia, de testemunhar uma intenção e um gesto, ainda que sempre mais canalizados e retraduzidos pelos softwares tecnológicos. As fotografias deixam de congelar e espelhar a realidade (como dizia Umberto Eco), e se tornam constitutivas dos acontecimentos fotografados e imaginados. Através da análise de algumas tendências no uso e na difusão quotidiana de imagens digitalizadas avaliar-se-á a resistência ou o colapso hermenêutico no seio da saturação icónica na qual estamos mergulhados.
Palavras-Chave: Fotografia Digital, Referencialidade, Gesto fotográfico, Fruição
Palavras-Chave: Fotografia Digital, Referencialidade, Gesto fotográfico, Fruição
Esta pesquisa objetivou identificar como a interação entre membros de uma comunidade virtual revela e influencia interesses e comportamentos acerca de um objeto tecnológico como o iPhone. Analisou se, através de uma abordagem... more
Esta pesquisa objetivou identificar como a interação entre membros de uma comunidade virtual revela e influencia interesses e comportamentos acerca de um objeto tecnológico como o iPhone. Analisou se, através de uma abordagem netnográfica, o tipo de cultura participativa presente no fórum on - line “Everythingicafe”, espaço dedicado à discussão sobre a marca Apple. Os resultados demostraram que na comunidade analisada os produtos da marca Apple adquirem um desmesurado valor simbólico, desafiam uma busca de status social e que a fidelidade à marca chega a configurarse como devoção. Ademais, a participação em comunidades da marca, muitas vezes, testemunha o desejo de identificar-se com um determinado grupo, mesmo não possuindo os produtos dos quais se discute.
Research Interests:
A convergência digital é uma das características centrais do cenário mediático contemporâneo, a qual pode ser entendida sob diversas perspectivas, nomeadamente, convergência tecnológica quando num mesmo dispositivo tecnológico passamos a... more
A convergência digital é uma das características centrais do cenário mediático contemporâneo, a qual pode ser entendida sob diversas perspectivas, nomeadamente, convergência tecnológica quando num mesmo dispositivo tecnológico passamos a dispor de diversas funções que anteriormente estavam dispersas por diferentes aparelhos, e convergência cultural no que se refere às mudanças das lógicas de consumo das mídias com um forte ênfase no fluxo dos conteúdos e na lógica de participação dos utilizadores, consumidores que são, eles próprios redistribuidores e produtores de conteúdos e de redes de cooperação numa lógica de “economia afetiva” (JENKINS, 2009, p.377). Convergência tecnológica e cultural interatuam dialeticamente incrementando uma espiral de novos serviços que se alimentam das funcionalidades dos aparatos técnicos, mas que crescem graças à naturalização destes dispositivos no quotidiano dos indivíduos, em especial das novas gerações que vivem sob o lema da conectividade permanente, da instantaneidade comunicacional, da liquidificação dos espaços públicos e da fragmentação dos privados, da multiplicação (com relativa sobreposição) dos conteúdos profissionais e amadores.
Tecnologia e sociedade, convergência tecnológica e cultural, são distinções mais de carácter teórico e analítico, do que efetivo. As inovações tecnológicas precisam de um determinado tempo e clima histórico para serem acolhidas e integradas no complexo da sociedade, mas têm a sua gênese no âmago de alguns contextos específicos onde se refletem conflitos e interesses entre as dinâmicas políticas, científicas, econômicas e culturais, exercendo uma influência, muitas vezes, colonizadora nos tecidos socais nos quais são introduzidas como algo externo, novo, simultaneamente, sedutor e inevitável. O quadro de leitura das dinâmicas no qual nos situamos é o do efeito de inseparabilidade entre técnica e sociedade, e ao mesmo tempo da impossibilidade da neutralidade da técnica. O desafio é refletir sobre as ambivalências e irreversibilidades que o uso das tecnologias de informação e comunicação em rede acarreta aos indivíduos e à sociedade.
Da intimidade à participação pública/política, do trabalho ao lazer, da família à escola todos os setores sofrem alterações que (mais ou menos diretamente) remetem frequentemente às inovações tecnológicas e que, todavia, tendem a ser aceites e encaradas como se a técnica não fosse nem boa nem má, como se fosse neutra, quando na realidade incorpora ideologia, incorpora uma cosmovisão.
Tecnologia e sociedade, convergência tecnológica e cultural, são distinções mais de carácter teórico e analítico, do que efetivo. As inovações tecnológicas precisam de um determinado tempo e clima histórico para serem acolhidas e integradas no complexo da sociedade, mas têm a sua gênese no âmago de alguns contextos específicos onde se refletem conflitos e interesses entre as dinâmicas políticas, científicas, econômicas e culturais, exercendo uma influência, muitas vezes, colonizadora nos tecidos socais nos quais são introduzidas como algo externo, novo, simultaneamente, sedutor e inevitável. O quadro de leitura das dinâmicas no qual nos situamos é o do efeito de inseparabilidade entre técnica e sociedade, e ao mesmo tempo da impossibilidade da neutralidade da técnica. O desafio é refletir sobre as ambivalências e irreversibilidades que o uso das tecnologias de informação e comunicação em rede acarreta aos indivíduos e à sociedade.
Da intimidade à participação pública/política, do trabalho ao lazer, da família à escola todos os setores sofrem alterações que (mais ou menos diretamente) remetem frequentemente às inovações tecnológicas e que, todavia, tendem a ser aceites e encaradas como se a técnica não fosse nem boa nem má, como se fosse neutra, quando na realidade incorpora ideologia, incorpora uma cosmovisão.
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A convergência digital é uma das características centrais do cenário mediático contemporâneo, a qual pode ser entendida sob diversas perspectivas, nomeadamente, convergência tecnológica quando num mesmo dispositivo tecnológico passamos a... more
A convergência digital é uma das características centrais do cenário mediático contemporâneo, a qual pode ser entendida sob diversas perspectivas, nomeadamente, convergência tecnológica quando num mesmo dispositivo tecnológico passamos a dispor de diversas funções que anteriormente estavam dispersas por diferentes aparelhos, e convergência cultural no que se refere às mudanças das lógicas de consumo das mídias com um forte ênfase no fluxo dos conteúdos e na lógica de participação dos utilizadores, consumidores que são, eles próprios redistribuidores e produtores de conteúdos e de redes de cooperação numa lógica de “economia afetiva” (JENKINS, 2009, p.377). Convergência tecnológica e cultural interatuam dialeticamente incrementando uma espiral de novos serviços que se alimentam das funcionalidades dos aparatos técnicos, mas que crescem graças à naturalização destes dispositivos no quotidiano dos indivíduos, em especial das novas gerações que vivem sob o lema da conectividade permanente, da instantaneidade comunicacional, da liquidificação dos espaços públicos e da fragmentação dos privados, da multiplicação (com relativa sobreposição) dos conteúdos profissionais e amadores.
Tecnologia e sociedade, convergência tecnológica e cultural, são distinções mais de carácter teórico e analítico, do que efetivo. As inovações tecnológicas precisam de um determinado tempo e clima histórico para serem acolhidas e integradas no complexo da sociedade, mas têm a sua gênese no âmago de alguns contextos específicos onde se refletem conflitos e interesses entre as dinâmicas políticas, científicas, econômicas e culturais, exercendo uma influência, muitas vezes, colonizadora nos tecidos socais nos quais são introduzidas como algo externo, novo, simultaneamente, sedutor e inevitável. O quadro de leitura das dinâmicas no qual nos situamos é o do efeito de inseparabilidade entre técnica e sociedade, e ao mesmo tempo da impossibilidade da neutralidade da técnica. O desafio é refletir sobre as ambivalências e irreversibilidades que o uso das tecnologias de informação e comunicação em rede acarreta aos indivíduos e à sociedade.
Da intimidade à participação pública/política, do trabalho ao lazer, da família à escola todos os setores sofrem alterações que (mais ou menos diretamente) remetem frequentemente às inovações tecnológicas e que, todavia, tendem a ser aceites e encaradas como se a técnica não fosse nem boa nem má, como se fosse neutra, quando na realidade incorpora ideologia, incorpora uma cosmovisão.
Tecnologia e sociedade, convergência tecnológica e cultural, são distinções mais de carácter teórico e analítico, do que efetivo. As inovações tecnológicas precisam de um determinado tempo e clima histórico para serem acolhidas e integradas no complexo da sociedade, mas têm a sua gênese no âmago de alguns contextos específicos onde se refletem conflitos e interesses entre as dinâmicas políticas, científicas, econômicas e culturais, exercendo uma influência, muitas vezes, colonizadora nos tecidos socais nos quais são introduzidas como algo externo, novo, simultaneamente, sedutor e inevitável. O quadro de leitura das dinâmicas no qual nos situamos é o do efeito de inseparabilidade entre técnica e sociedade, e ao mesmo tempo da impossibilidade da neutralidade da técnica. O desafio é refletir sobre as ambivalências e irreversibilidades que o uso das tecnologias de informação e comunicação em rede acarreta aos indivíduos e à sociedade.
Da intimidade à participação pública/política, do trabalho ao lazer, da família à escola todos os setores sofrem alterações que (mais ou menos diretamente) remetem frequentemente às inovações tecnológicas e que, todavia, tendem a ser aceites e encaradas como se a técnica não fosse nem boa nem má, como se fosse neutra, quando na realidade incorpora ideologia, incorpora uma cosmovisão.
Research Interests:
Serão os media europeus capazes de despertar nos jovens portugueses o surgimento de uma consciência comum sobre a Europa? Será a Europa um elo forte de ligação entre os jovens europeus? Despertará ela interesse no devir de uma “comunidade... more
Serão os media europeus capazes de despertar nos jovens portugueses o surgimento de uma consciência comum sobre a Europa? Será a Europa um elo forte de ligação entre os jovens europeus? Despertará ela interesse no devir de uma “comunidade de destino”, como referia Edgar Morin? Será a linguagem dos media uma linguagem capaz de veicular para os jovens europeus uma literacia cívica e cultural virada à sua aproximação, apesar da pluralidade linguística e sociocultural de cada país?
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Uma T-shirt de há alguns anos atrás tinha inscrita a irónica frase: “tenho a consciência limpa: nunca a usei”. Esta piada pode explicar de forma emblemática o grave paradoxo que continua a bloquear a construção de uma identidade e de uma... more
Uma T-shirt de há alguns anos atrás tinha inscrita a irónica frase: “tenho a consciência limpa: nunca a usei”. Esta piada pode explicar de forma emblemática o grave paradoxo que continua a bloquear a construção de uma identidade e de uma consciência europeia. Se pensarmos na discrepância entre o desígnio político originário para uma Europa Federal dos povos e a sua desconfortante realização, assim como na cisão radical existente entre a organização e o funcionamento das suas instituições representativas e os anseios dos seus cidadãos, podemos alegar como uma sua possível explicação esta consciência imaculada. Os europeus ainda têm dificuldades em pensar em uma consciência europeia porque a Europa não demostrou pensar o suficiente sobre os europeus, porque ainda não desenvolveu uma consciência sobre si própria. Com as palavras de Jürgen Habermas, dir-se-á que se trata de uma Europa sem europeus, uma Europa que não pensou, nem evoluiu, em direção a eles.
Investigar sobre a emergência de uma consciência europeia juntos das novas gerações obriga a examinar tal cenário, cruzando uma rede de problemáticas remetidas pelas relações (transversais como desiguais) entre países, instituições e cidadãos de diferentes gerações.
1. Os caminhos da dupla consciencialização.
2. A moda da juventude e a promiscuidade geracional.
3. Sair da menoridade em busca de uma herança a resgatar.
Investigar sobre a emergência de uma consciência europeia juntos das novas gerações obriga a examinar tal cenário, cruzando uma rede de problemáticas remetidas pelas relações (transversais como desiguais) entre países, instituições e cidadãos de diferentes gerações.
1. Os caminhos da dupla consciencialização.
2. A moda da juventude e a promiscuidade geracional.
3. Sair da menoridade em busca de uma herança a resgatar.
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Os sistemas de valorização contemporâneos giram à volta das lógicas do rating e do ranking. Duas formas linguísticas repletas de conflitos de interesses e obscuras nas suas gramaticas algorítmicas. As promissoras potencialidades... more
Os sistemas de valorização contemporâneos giram à volta das lógicas do rating e do ranking. Duas formas linguísticas repletas de conflitos de interesses e obscuras nas suas gramaticas algorítmicas. As promissoras potencialidades socialmente projetadas na tecnologia informática ficaram, em muitos casos, potencialidades sem efetivações. Trata-se de verificar os âmbitos operacionais onde a Web acarretou processos de abertura e integração e onde proporcionou restrições, ideologias e novas ignorâncias.
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O novo ouro preto encontra-se nos data center que aguardam e computam a vida social e relacional de bilhões de seres humanos, determinando a centralidade dos conteúdos digitais para a esfera económica e política contemporânea. As Media... more
O novo ouro preto encontra-se nos data center que aguardam e computam a vida social e relacional de bilhões de seres humanos, determinando a centralidade dos conteúdos digitais para a esfera económica e política contemporânea. As Media Companies e os seus inúmeros parceiros proporcionam, através das suas heterogéneas e aparentemente alheias atividades, a proliferação duma grande quantidade de dados a serem produzidos, coletados e correlacionados. Produzir valor na infosfera contemporânea requer uma grande força atrativa e disponibilidade em registar e espalhar dados digitais, a “datificação” torna-se assim o novo horizonte de valor das estratégias de desintermediação. Os algoritmos informáticos têm o objetivo de transformar o processo e o resultado de qualquer operação on-line em automatismos, iludindo na transparência democrática dos seus processos.
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Panorámica del encuentro entre el pensamiento visual y la visión filosófica. Considerar la relación entre el cine y la filosofía, a través de la medición del interés que algunos cineastas han mostrado hacia la vida y obra de... more
Panorámica del encuentro entre el pensamiento visual y la visión filosófica.
Considerar la relación entre el cine y la filosofía, a través de la medición del interés que algunos cineastas han mostrado hacia la vida y obra de algunos filósofos, significa internarse en los debates y en la traducción sobrentendida de sus teorías y sus lenguajes específicos.
Las teorías filosóficas y las teorías fílmicas, los lenguajes escritos y los lenguajes audiovisuales, la materialidad creativa de las diferentes experiencias furtivas, evidencian la irreductibilidad mutua de los diferentes estatutos disciplinarios. Sin embargo, esta constitutiva disimilitud en muchos casos ha resultado ser un exitoso pre-texto para una fascinación mutua, que ha dado lugar a la extensión potencial de cada estilo cognitivo hacia otros modos de pensar y pensarse como práctica cognitivo-descriptiva. Reconstruir una panorámica histórica de las reflexiones sobre la relación entre el cine y la filosofía requiere empezar por el mismo nacimiento del cine: las preguntas que por lo general se han planteado en este largo periodo de tiempo, poco más de un siglo, han tenido por objeto temas puramente filosóficos como: la relación entre la realidad y su reproducción, el potencial cognitivo del medio cinematográfico, la representabilidad de las ideas abstractas o la espectacularización del imaginario colectivo. El aspecto informativo y de conocimiento que el cine ha contribuido a formar, ha favorecido el acceso a la visión de una pluralidad de contextos emocionales, de los comportamientos y de las experiencias.
Considerar la relación entre el cine y la filosofía, a través de la medición del interés que algunos cineastas han mostrado hacia la vida y obra de algunos filósofos, significa internarse en los debates y en la traducción sobrentendida de sus teorías y sus lenguajes específicos.
Las teorías filosóficas y las teorías fílmicas, los lenguajes escritos y los lenguajes audiovisuales, la materialidad creativa de las diferentes experiencias furtivas, evidencian la irreductibilidad mutua de los diferentes estatutos disciplinarios. Sin embargo, esta constitutiva disimilitud en muchos casos ha resultado ser un exitoso pre-texto para una fascinación mutua, que ha dado lugar a la extensión potencial de cada estilo cognitivo hacia otros modos de pensar y pensarse como práctica cognitivo-descriptiva. Reconstruir una panorámica histórica de las reflexiones sobre la relación entre el cine y la filosofía requiere empezar por el mismo nacimiento del cine: las preguntas que por lo general se han planteado en este largo periodo de tiempo, poco más de un siglo, han tenido por objeto temas puramente filosóficos como: la relación entre la realidad y su reproducción, el potencial cognitivo del medio cinematográfico, la representabilidad de las ideas abstractas o la espectacularización del imaginario colectivo. El aspecto informativo y de conocimiento que el cine ha contribuido a formar, ha favorecido el acceso a la visión de una pluralidad de contextos emocionales, de los comportamientos y de las experiencias.
Michel de Certeau, en La invención de lo cotidiano, distinguía los comportamientos y las prácticas sociales en dos tipologías fundamentales: las “estrategias” y las “tácticas”. Las primeras son las que establecen las instituciones, las... more
Michel de Certeau, en La invención de lo cotidiano, distinguía los comportamientos y las prácticas sociales en dos tipologías fundamentales: las “estrategias” y las “tácticas”. Las primeras son las que establecen las instituciones, las autoridades políticas, las empresas y los organismos sociales que persiguen objetivos conformes con la reproducción de un sistema determinado. A la segunda tipología pertenece una clase heterogénea de individuos que, aunque se muevan dentro de espacios y de coordenadas predeterminadas por las estrategias, persiguen necesidades y tendencias diferentes e irreductible a las pautas dadas por las primeras. Las estrategias disponen y predisponen y, sobretodo, necesitan de tiempos largos para desarrollar proyectos y realizarlos. Las tácticas por el contrario negocian y simulan el cumplimiento de las expectativas más altas, pero se basan en tiempos cortos, aquellos vinculados a la rehabilitación de lo local y las prácticas contingentes de lo cotidiano. En la comparación de estos comportamientos, de Certeau quiere mostrar la creatividad que subyace al “arte de hacer”, y que opera en los intersticios del tiempo y del espacio hegemónico. Se trata, por tanto, de una clara distinción entre las razones prácticas que se mueven entre lo macro y lo microsocial.
Sin embargo, treinta años después de la publicación de este libro se considera cada vez más borrosa la distinción representada por el erudito francés. No tanto en términos de distribución y jerarquía de poderes, sino más bien en términos de fenomenología, la cual muestra una superposición entre las dos orientaciones. Las tácticas, con sus tiempos cortos, parecen ser las prácticas y los instrumentos cada vez más adoptados por las nuevas estrategias. A través de la figura de la “emergencia” los comportamientos estratégicos se visten de tácticos, por lo menos esa es la impresión que tenemos cuando tratamos de vislumbrar su racionalidad.
¿Qué papel tiene la relación con el tiempo en este escenario? Las tramas de las relaciones de poder, haciéndose (en palabras de Michel Foucault) cada vez más “acéfalas”, trasforman el tiempo invisible en una nueva materia prima de la experiencia social.
http://interartive.org/pantalla-reflectante/
Sin embargo, treinta años después de la publicación de este libro se considera cada vez más borrosa la distinción representada por el erudito francés. No tanto en términos de distribución y jerarquía de poderes, sino más bien en términos de fenomenología, la cual muestra una superposición entre las dos orientaciones. Las tácticas, con sus tiempos cortos, parecen ser las prácticas y los instrumentos cada vez más adoptados por las nuevas estrategias. A través de la figura de la “emergencia” los comportamientos estratégicos se visten de tácticos, por lo menos esa es la impresión que tenemos cuando tratamos de vislumbrar su racionalidad.
¿Qué papel tiene la relación con el tiempo en este escenario? Las tramas de las relaciones de poder, haciéndose (en palabras de Michel Foucault) cada vez más “acéfalas”, trasforman el tiempo invisible en una nueva materia prima de la experiencia social.
http://interartive.org/pantalla-reflectante/
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Educators had believed for centuries that learning and cognition happen “in the head” of individuals, and that education should be about getting information into those individuals’ heads so they can carry knowledge around and apply it in... more
Educators had believed for centuries that learning and cognition happen “in the head” of individuals, and that education should be about getting information into those individuals’ heads so they can carry knowledge around and apply it in different setting.
Despite this established pedagogical perspective, since last century the educational system has witnessed, in various fields, people debate and synthesize a new paradigm for theorizing and supporting learning in a participatory and not formal manner. Indeed, researchers demonstrated through empirical study that learning is inseparable from the cultural identities, practices, and material settings of everyday life. They argued that the educational agenda should focus not on getting things into kids’ heads but on supporting contexts where kids could belong, participate, and contribute to their own learning.
“Situated learning” theory instead not only took aim at the foundations of cognitive theory, it challenged the core assumptions of our educational practice. Why should we be sitting kids down in rows to learn math or philosophy in the abstract when it is both more engaging and effective to learn it in the real world or through meaningful social activity? Real-world and real-frame promote the concrete comparison in everyday problem-solving for a meaningful purpose (of learning).
As such we can understand, then, how important is to emphasize the effectiveness of non-formal teaching methodologies in frameworks aimed at the creation of complementary skills to those schools. Through one-to-one teaching and group facilitation, people all over the world have used non-formal education methods to pass on traditional knowledge and ensure that each new generation learns from the old.
Despite this established pedagogical perspective, since last century the educational system has witnessed, in various fields, people debate and synthesize a new paradigm for theorizing and supporting learning in a participatory and not formal manner. Indeed, researchers demonstrated through empirical study that learning is inseparable from the cultural identities, practices, and material settings of everyday life. They argued that the educational agenda should focus not on getting things into kids’ heads but on supporting contexts where kids could belong, participate, and contribute to their own learning.
“Situated learning” theory instead not only took aim at the foundations of cognitive theory, it challenged the core assumptions of our educational practice. Why should we be sitting kids down in rows to learn math or philosophy in the abstract when it is both more engaging and effective to learn it in the real world or through meaningful social activity? Real-world and real-frame promote the concrete comparison in everyday problem-solving for a meaningful purpose (of learning).
As such we can understand, then, how important is to emphasize the effectiveness of non-formal teaching methodologies in frameworks aimed at the creation of complementary skills to those schools. Through one-to-one teaching and group facilitation, people all over the world have used non-formal education methods to pass on traditional knowledge and ensure that each new generation learns from the old.
Vania Baldi A Consciência Europeia: uma herança a construir “Aquilo que herdaste dos teus pais, conquista-o para fazê-lo teu” (W. Goethe) Uma T-shirt de há alguns anos atrás tinha inscrita a irónica frase: “tenho a... more
Vania Baldi
A Consciência Europeia: uma herança a construir
“Aquilo que herdaste dos teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”
(W. Goethe)
Uma T-shirt de há alguns anos atrás tinha inscrita a irónica frase: “tenho a consciência limpa: nunca a usei”. Esta piada pode explicar de forma emblemática o grave paradoxo que continua a bloquear a construção de uma identidade e de uma consciência europeia. Se pensarmos na discrepância entre o desígnio político originário para uma Europa Federal dos povos e a sua desconfortante realização, assim como na cisão radical existente entre a organização e o funcionamento das suas instituições representativas e os anseios dos seus cidadãos, podemos alegar como uma sua possível explicação esta consciência imaculada. Os europeus ainda têm dificuldades em pensar em uma consciência europeia porque a Europa não demostrou pensar o suficiente sobre os europeus, porque ainda não desenvolveu uma consciência sobre si própria. Com as palavras de Jürgen Habermas, dir-se-á que se trata de uma Europa sem europeus, uma Europa que não pensou, nem evoluiu, em direção a eles.
Investigar sobre a emergência de uma consciência europeia juntos das novas gerações obriga a examinar tal cenário, cruzando uma rede de problemáticas remetidas pelas relações (transversais como desiguais) entre países, instituições e cidadãos de diferentes gerações.
A Consciência Europeia: uma herança a construir
“Aquilo que herdaste dos teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”
(W. Goethe)
Uma T-shirt de há alguns anos atrás tinha inscrita a irónica frase: “tenho a consciência limpa: nunca a usei”. Esta piada pode explicar de forma emblemática o grave paradoxo que continua a bloquear a construção de uma identidade e de uma consciência europeia. Se pensarmos na discrepância entre o desígnio político originário para uma Europa Federal dos povos e a sua desconfortante realização, assim como na cisão radical existente entre a organização e o funcionamento das suas instituições representativas e os anseios dos seus cidadãos, podemos alegar como uma sua possível explicação esta consciência imaculada. Os europeus ainda têm dificuldades em pensar em uma consciência europeia porque a Europa não demostrou pensar o suficiente sobre os europeus, porque ainda não desenvolveu uma consciência sobre si própria. Com as palavras de Jürgen Habermas, dir-se-á que se trata de uma Europa sem europeus, uma Europa que não pensou, nem evoluiu, em direção a eles.
Investigar sobre a emergência de uma consciência europeia juntos das novas gerações obriga a examinar tal cenário, cruzando uma rede de problemáticas remetidas pelas relações (transversais como desiguais) entre países, instituições e cidadãos de diferentes gerações.
Research Interests:
1. Ao rito atribui-se geralmente um carácter de formalidade, de convencionalidade, de estereotipia e rigidez, como se fosse algo de marginal, insignificante e irrazoável. Na acentuação destas características reside uma ampla e histórica... more
1. Ao rito atribui-se geralmente um carácter de formalidade, de convencionalidade, de estereotipia e rigidez, como se fosse algo de marginal, insignificante e irrazoável. Na acentuação destas características reside uma ampla e histórica tendência a pensar a ritualidade de uma forma prejudicial. Pode-se afirmar que esta cultura anti-ritualista remonta à modernidade Ocidental: esta tendência pressupõe uma hierarquia de valores entre as experiências que remetem à espiritualidade e aquelas que remetem à corporeidade, entre a dimensão interior e subjectiva e aquela exterior e visível, entre a vida e a forma, a intenção e o operar. Como se esta perspectiva remetesse o rito para uma dimensão de algo supérfluo, idolátrico, patológico, maníaco, desesperado, de ausência de profundidade e de substância.
2. “Pensamento mítico”, “pensamento pré-lógico”, “pensamento simbólico” são algumas das expressões que geralmente se utilizaram para definir a actividade intelectual dos membros das sociedades primárias, em oposição ao pensamento racional, lógico e dedutivo das culturas “desenvolvidas”. Estas definições congruentes com uma “violência epistémica” de herança colonial são, portanto, ainda condicionantes na maneira de pensar o ritual. Um dos desafios deste número dos e-cadernos CES é valorizar a questão da ritualidade enquanto representativa de uma “inesgotável diferença epistemológica do mundo”.
3. A experiência ritual pode ser interpretada como uma mentalidade, uma forma de pensar e de se comportar que ultrapassa a distinção entre tradição e inovação, entre primitivismo e civilização. As próprias sociedades contemporâneas nos oferecem exemplos de uma dissolvência e recíproca contaminação das velhas contraposições. Assistimos, de facto, a um duplo e ambivalente movimento histórico: ao surgimento de condições sociais próximas ao “estado de natureza” nas metrópoles do Norte-Global contrapõem-se, no Sul-Global, as organizações de movimentos sociais que lutam pela dignidade e pela emancipação social; ao mesmo tempo, verificamos a presença de comportamentos ditos tribais no Ocidente e, de outro lado, o impacto da racionalidade tecnológica e económica nos contextos históricos e geográficos menos desenvolvidos.
4. Os novos sincretismos globais são sempre mais um espelho das interferências e das interacções (lúdicas ou conflituais, simbólicas ou materiais) entre as múltiplas diferenças éticas, políticas e culturais que perpassam as sociedades actuais. Ao mesmo tempo, estes sincretismos representam algumas novas matrizes para novas e possíveis mudanças culturais. Mesmo os diversos antagonismos e as várias lutas acerca de interesses, projectos e divisões hierárquicas que “organizam” as realidades sociais, enquanto coexistirem em qualquer lugar do mundo, não se podem mais ignorar entre si, mas precisam de momentos e contextos de ritualidade para se poderem representar e confrontar.
5. A potencialidade analítica e heurística do conceito de ritual fica expressa nos trabalhos presentes neste número dos e-cadernos CES, com textos que abordam a problemática do corpo, com o contributo de Luiz Correia – “Corpo, emoções e identidade”, de António Carvalho – “Self, Performativity and Vipassana Meditation” e de Juliana Abonizio e Ana Fonseca – “Modificação ritual do corpo”; a problemática da música com o contributo de Sara Carvalho e Helena Marinho – “Ritual and Transgression”; a problemática da religião com o contributo de Mauro Meirelles – “Religio et Civilis”; de Maria do Rosário Pestana – “Um ritual de regeneração e transcendência”, de Túlio de Souza Muniz – “O profundo à flor da pele”; a questão das representações e das retóricas culturais discriminatórias com o contributo de Júlia Garraio – “O violador muçulmano”; o tema da economia política da saúde e do controlo nos casos de VIH/Sida em Portugal com o artigo de Eunice Castro Seixas – “Rituais de risco e governamentalidade liberal”; a temática relativa aos efeitos da organização do trabalho nos rituais quotidianos dos trabalhadores das multinacionais com o estudo de Silmara Cimbalista – “Cultura da empresa”; o novo contexto comunicacional e relacional oferecido pelas novas tecnologias com o texto de Lídia Oliveira – “A sociedade dos fluxos comunicacionais e novos eventos rituais”.
6. O conjunto destes artigos focados na contemporaneidade e na transversalidade dos rituais insere-se no heterogéneo panorama dos estudos clássicos, que tentaram apreciar e individuar o significado essencial da experiência ritual: esta foi pensada como reactualização de um mito originário, como forma de manter os laços sociais, por exercitar controlo político, como maneira de conservar a tradição, como tentativa de governar a ansiedade e o medo originários, como prática de legitimação das distinções sociais, como praxe para resolver conflitos e tensões imanentes aos grupos de pertença, como produção das formas simbólicas, como hábito de elaboração dos paradigmas cognitivos e de acção, assim como de interacção quotidiana.
7. No panorama dos estudos sobre o rito existiram (e continuam a existir), então, maneiras de o pensar como associado ao mito ou desvinculado dele, como funcional à formação de um agregado social ou à manutenção de uma visão do mundo, como estratégia pela inclusão de elementos novos e imprevistos ou pela degradação e rejeição de dados indesejados; enfim, como representativo de uma lógica de acção presa no movimento dialéctico entre modus operandi e opus operatum.
Para citar este artigo
Referência eletrónica
Vania Baldi, Silmara Cimbalista e Lídia Oliveira, « Introdução », e-cadernos ces [Online], 08 | 2010, posto online no dia 01 Junho 2010, consultado o 28 Agosto 2014. URL : http://eces.revues.org/440
2. “Pensamento mítico”, “pensamento pré-lógico”, “pensamento simbólico” são algumas das expressões que geralmente se utilizaram para definir a actividade intelectual dos membros das sociedades primárias, em oposição ao pensamento racional, lógico e dedutivo das culturas “desenvolvidas”. Estas definições congruentes com uma “violência epistémica” de herança colonial são, portanto, ainda condicionantes na maneira de pensar o ritual. Um dos desafios deste número dos e-cadernos CES é valorizar a questão da ritualidade enquanto representativa de uma “inesgotável diferença epistemológica do mundo”.
3. A experiência ritual pode ser interpretada como uma mentalidade, uma forma de pensar e de se comportar que ultrapassa a distinção entre tradição e inovação, entre primitivismo e civilização. As próprias sociedades contemporâneas nos oferecem exemplos de uma dissolvência e recíproca contaminação das velhas contraposições. Assistimos, de facto, a um duplo e ambivalente movimento histórico: ao surgimento de condições sociais próximas ao “estado de natureza” nas metrópoles do Norte-Global contrapõem-se, no Sul-Global, as organizações de movimentos sociais que lutam pela dignidade e pela emancipação social; ao mesmo tempo, verificamos a presença de comportamentos ditos tribais no Ocidente e, de outro lado, o impacto da racionalidade tecnológica e económica nos contextos históricos e geográficos menos desenvolvidos.
4. Os novos sincretismos globais são sempre mais um espelho das interferências e das interacções (lúdicas ou conflituais, simbólicas ou materiais) entre as múltiplas diferenças éticas, políticas e culturais que perpassam as sociedades actuais. Ao mesmo tempo, estes sincretismos representam algumas novas matrizes para novas e possíveis mudanças culturais. Mesmo os diversos antagonismos e as várias lutas acerca de interesses, projectos e divisões hierárquicas que “organizam” as realidades sociais, enquanto coexistirem em qualquer lugar do mundo, não se podem mais ignorar entre si, mas precisam de momentos e contextos de ritualidade para se poderem representar e confrontar.
5. A potencialidade analítica e heurística do conceito de ritual fica expressa nos trabalhos presentes neste número dos e-cadernos CES, com textos que abordam a problemática do corpo, com o contributo de Luiz Correia – “Corpo, emoções e identidade”, de António Carvalho – “Self, Performativity and Vipassana Meditation” e de Juliana Abonizio e Ana Fonseca – “Modificação ritual do corpo”; a problemática da música com o contributo de Sara Carvalho e Helena Marinho – “Ritual and Transgression”; a problemática da religião com o contributo de Mauro Meirelles – “Religio et Civilis”; de Maria do Rosário Pestana – “Um ritual de regeneração e transcendência”, de Túlio de Souza Muniz – “O profundo à flor da pele”; a questão das representações e das retóricas culturais discriminatórias com o contributo de Júlia Garraio – “O violador muçulmano”; o tema da economia política da saúde e do controlo nos casos de VIH/Sida em Portugal com o artigo de Eunice Castro Seixas – “Rituais de risco e governamentalidade liberal”; a temática relativa aos efeitos da organização do trabalho nos rituais quotidianos dos trabalhadores das multinacionais com o estudo de Silmara Cimbalista – “Cultura da empresa”; o novo contexto comunicacional e relacional oferecido pelas novas tecnologias com o texto de Lídia Oliveira – “A sociedade dos fluxos comunicacionais e novos eventos rituais”.
6. O conjunto destes artigos focados na contemporaneidade e na transversalidade dos rituais insere-se no heterogéneo panorama dos estudos clássicos, que tentaram apreciar e individuar o significado essencial da experiência ritual: esta foi pensada como reactualização de um mito originário, como forma de manter os laços sociais, por exercitar controlo político, como maneira de conservar a tradição, como tentativa de governar a ansiedade e o medo originários, como prática de legitimação das distinções sociais, como praxe para resolver conflitos e tensões imanentes aos grupos de pertença, como produção das formas simbólicas, como hábito de elaboração dos paradigmas cognitivos e de acção, assim como de interacção quotidiana.
7. No panorama dos estudos sobre o rito existiram (e continuam a existir), então, maneiras de o pensar como associado ao mito ou desvinculado dele, como funcional à formação de um agregado social ou à manutenção de uma visão do mundo, como estratégia pela inclusão de elementos novos e imprevistos ou pela degradação e rejeição de dados indesejados; enfim, como representativo de uma lógica de acção presa no movimento dialéctico entre modus operandi e opus operatum.
Para citar este artigo
Referência eletrónica
Vania Baldi, Silmara Cimbalista e Lídia Oliveira, « Introdução », e-cadernos ces [Online], 08 | 2010, posto online no dia 01 Junho 2010, consultado o 28 Agosto 2014. URL : http://eces.revues.org/440
Research Interests:
Divenire essere umani è un oneroso compito dall’esito tutt’altro che scontato e mai del tutto acquisito. L’animale umano è una bestia rara: impastata di storia, natura e cultura è immersa sino al collo in una dimensione perennemente... more
Divenire essere umani è un oneroso compito dall’esito tutt’altro che scontato e mai del tutto acquisito. L’animale umano è una bestia rara: impastata di storia, natura e cultura è immersa sino al collo in una dimensione perennemente interrogativa, dimensione che è prerogativa di quegli esseri, quali noi siamo, antropologicamente incompiuti e che anche per questo dipendono dalle cure, dall’affetto e dal desiderio degli altri.
L’animale umano è una creatura creatrix: dotata di facoltà di linguaggio, di plasticità ideativa e adattativa, della possibilità di domesticare pulsioni, di procrastinare bisogni e architettare realizzazione di desideri. Gli abiti culturali sono intessuti di una bio-logia che al tempo stesso permette e pretende socializzazione.
L’animale umano è un essere rituale: la tensione alla reciprocità è la sua costante corrente stilistica. Le convenzioni, le abitudini, le regole non sono altro che costrutti sociali rispondenti all’eventuale implosione/esplosione delle passioni umane. Le istituzioni sono questo: la risposta metaindividuale a problematiche antropologiche.
Sapersi naturalmente culturali, o primitivamente tecnologici, apre a scenari etici e politici di prim’ordine. Storicamente, su ogni filosofia dell’uomo si è retto un certo sistema di potere e ogni sistema di potere ha sostenuto una specifica filosofia dell’uomo. Nuove prospettive di ricerca qui indicate tolgono l’alibi per poter ridurre la cultura a natura o la natura a cultura. Nel corpo, non meno che nel cervello, è racchiusa la storia sociale e naturale di ogni individuo.
Riprendendo e rielaborando alcuni studi precursori di un conservatore eccentrico come Arnold Gehlen si pone in risalto la valenza del sofisticato legame tra struttura bioantropologica e dimensione sociale quale antidoto alla riduzione dell’umano in mero vivente.
L’animale umano è una creatura creatrix: dotata di facoltà di linguaggio, di plasticità ideativa e adattativa, della possibilità di domesticare pulsioni, di procrastinare bisogni e architettare realizzazione di desideri. Gli abiti culturali sono intessuti di una bio-logia che al tempo stesso permette e pretende socializzazione.
L’animale umano è un essere rituale: la tensione alla reciprocità è la sua costante corrente stilistica. Le convenzioni, le abitudini, le regole non sono altro che costrutti sociali rispondenti all’eventuale implosione/esplosione delle passioni umane. Le istituzioni sono questo: la risposta metaindividuale a problematiche antropologiche.
Sapersi naturalmente culturali, o primitivamente tecnologici, apre a scenari etici e politici di prim’ordine. Storicamente, su ogni filosofia dell’uomo si è retto un certo sistema di potere e ogni sistema di potere ha sostenuto una specifica filosofia dell’uomo. Nuove prospettive di ricerca qui indicate tolgono l’alibi per poter ridurre la cultura a natura o la natura a cultura. Nel corpo, non meno che nel cervello, è racchiusa la storia sociale e naturale di ogni individuo.
Riprendendo e rielaborando alcuni studi precursori di un conservatore eccentrico come Arnold Gehlen si pone in risalto la valenza del sofisticato legame tra struttura bioantropologica e dimensione sociale quale antidoto alla riduzione dell’umano in mero vivente.
Research Interests:
Intorno a ciò che si definisce appartenenza aleggia una semantica che generalmente riconduce alla velleità di una padronanza se non all'egoismo di una proprietà. Sia essa intesa nella sua declinazione politica o religiosa, sessuale o... more
Intorno a ciò che si definisce appartenenza aleggia una semantica che generalmente riconduce alla velleità di una padronanza se non all'egoismo di una proprietà. Sia essa intesa nella sua declinazione politica o religiosa, sessuale o etnica, geografica o economica, l'appartenenza sarebbe, in questa veste, qualcosa di esclusivo con pretese onnicomprensive, una condizione naturalizzata da difendere con dispetto e gelosia. Persistono altre modalità di farne esperienza e di promuoverne le potenzialità: di fianco al suo aspetto possessivo risiedono quegli altri dell'appropriatezza, della pertinenza, dell'adeguatezza. Attitudini che caratterizzano l'appartenere come una condizione storicamente acquisita, socialmente filtrata, psicologicamente dinamica e antropologicamente plastica alle realtà che pungolano in corso d'opera. Qualità culturali di cui si arriva a disporre attraverso un partecipato ri-conoscimento della propria storia come percorso prospettico, del proprio interesse come essere coinvolti, del proprio come impensato. Nell'ordinarietà delle pratiche tale riconoscimento può eludersi e contrastare, ma anche abilitarsi alla coesistenza, può intorpidirsi tra le retoriche ufficiali o resistervi facendo leva sull'esercizio critico e riflessivo della traduzione culturale.
A irrupção das tecnologias da informação em nossa vida quotidiana abriu caminhos nas maneiras de organizarmos a sociabilidade, formação, profissão, assim como na (auto)perceção psicossocial e cognição espaciotemporal. Essas irrupções... more
A irrupção das tecnologias da informação em nossa vida quotidiana abriu caminhos nas maneiras de organizarmos a sociabilidade, formação, profissão, assim como na (auto)perceção psicossocial e cognição espaciotemporal.
Essas irrupções correspondem a um conjunto de transformações sociais dentro das quais as inovações tecnológicas desempenharam um papel importante, a partir de uma mediamorfose assente na convergência dos media, na qual os dispositivos móveis e as plataformas de redes sociais protagonizam a produção e consumo da comunicação online. Neste cenário destaca-se o Facebook, com mais de 2 bilhões de utilizadores.
O facto de o Facebook apresentar versões para dispositivos móveis garante o acesso ubíquo à sua plataforma, criando expetativas sociais e distrações, de modo que gera uma sensação de repetida e intermitente frustração. Nesse sentido, estudos se realizaram para testar as implicações psicossociais dum uso excessivo desses dispositivos em permanente conexão, nomeadamente, se comprovaram efeitos negativos da dependência do Facebook, como o surgimento de estresse e fadiga nos utilizadores.
Neste contexto, apesar de ter um número extraordinário de utilizadores, o Facebook tem apresentado um declínio na quantidade de abertura de contas, no número de compartilhamentos e nas atualizações pessoais. Assim, este artigo tem o objetivo de analisar e interligar os estudos mais recentes sobre o “afastamento” do Facebook e apresentar os resultados de um inquérito que coletou a opinião de 57 pessoas sobre o rompimento com a rede social. Entre os principais motivos estão a insatisfação com os conteúdos a circularem pela rede, preocupações com a privacidade e consumo excessivo de tempo.
Essas irrupções correspondem a um conjunto de transformações sociais dentro das quais as inovações tecnológicas desempenharam um papel importante, a partir de uma mediamorfose assente na convergência dos media, na qual os dispositivos móveis e as plataformas de redes sociais protagonizam a produção e consumo da comunicação online. Neste cenário destaca-se o Facebook, com mais de 2 bilhões de utilizadores.
O facto de o Facebook apresentar versões para dispositivos móveis garante o acesso ubíquo à sua plataforma, criando expetativas sociais e distrações, de modo que gera uma sensação de repetida e intermitente frustração. Nesse sentido, estudos se realizaram para testar as implicações psicossociais dum uso excessivo desses dispositivos em permanente conexão, nomeadamente, se comprovaram efeitos negativos da dependência do Facebook, como o surgimento de estresse e fadiga nos utilizadores.
Neste contexto, apesar de ter um número extraordinário de utilizadores, o Facebook tem apresentado um declínio na quantidade de abertura de contas, no número de compartilhamentos e nas atualizações pessoais. Assim, este artigo tem o objetivo de analisar e interligar os estudos mais recentes sobre o “afastamento” do Facebook e apresentar os resultados de um inquérito que coletou a opinião de 57 pessoas sobre o rompimento com a rede social. Entre os principais motivos estão a insatisfação com os conteúdos a circularem pela rede, preocupações com a privacidade e consumo excessivo de tempo.
Research Interests:
In light of the European migrant crisis and considering the growing use of new technologies by humanitarian agencies in their operations, it is important to reflect on the possible social and technological convergence of these phenomena... more
In light of the European migrant crisis and considering the growing use of new technologies by humanitarian agencies in their operations, it is important to reflect on the possible social and technological convergence of these phenomena in an attempt to minimize the damages and respond to the needs of refugees. This research focuses on the adoption of new technologies in humanitarian aid, with emphasis on the use of smartphones by refugees who escape the various wars occurring in countries such as Syria or sub-Saharan areas and that are trying to successfully adjust to their host country.
https://www.researchgate.net/publication/318168155_The_Potential_Role_of_Digital_Technologies_in_the_Context_of_Forced_Displacement
https://www.researchgate.net/publication/318168155_The_Potential_Role_of_Digital_Technologies_in_the_Context_of_Forced_Displacement
Research Interests:
Many families have begun to make use of information and communication technologies (ICT) and social media, incorporating their functionalities in their daily lives in order to keep in touch with each other. An exploratory investigation on... more
Many families have begun to make use of information
and communication technologies (ICT) and social media,
incorporating their functionalities in their daily lives in order to
keep in touch with each other. An exploratory investigation on
how technology and social media are used to support
intergenerational family communication was carried out, in
order to understand, not only the technologies and media
adopted, but also how and for what they are used by each family
member.After the selection of families through pre-established
criteria, semi-structured interviews were conducted to each of its
members. It was possible to conclude that, despite the media
differences and asymmetry in their use between generations, the
members of the families under study use technologies and digital
media at their disposal to maintain contact with each other. This
paper proposes a social network for intergenerational family
communication, based on a set of characteristics and
functionalities identified as fundamental for any technology
platform focused on family communication.
and communication technologies (ICT) and social media,
incorporating their functionalities in their daily lives in order to
keep in touch with each other. An exploratory investigation on
how technology and social media are used to support
intergenerational family communication was carried out, in
order to understand, not only the technologies and media
adopted, but also how and for what they are used by each family
member.After the selection of families through pre-established
criteria, semi-structured interviews were conducted to each of its
members. It was possible to conclude that, despite the media
differences and asymmetry in their use between generations, the
members of the families under study use technologies and digital
media at their disposal to maintain contact with each other. This
paper proposes a social network for intergenerational family
communication, based on a set of characteristics and
functionalities identified as fundamental for any technology
platform focused on family communication.
Research Interests:
Numa sociedade onde os smartphones e a Internet móvel atuam cada vez mais como mediadores e potenciadores de laços sociais, encontramos propostas tecnológicas que constantemente colocam novos desafios ao utilizador no modo como este... more
Numa sociedade onde os smartphones e a Internet
móvel atuam cada vez mais como mediadores e potenciadores de
laços sociais, encontramos propostas tecnológicas que
constantemente colocam novos desafios ao utilizador no modo
como este interage e comunica com os demais. Este artigo,
centrando-se em aplicações móveis que promovem laços sociais e
amorosos entre desconhecidos (como no caso do Tinder, Bumble,
Grindr, etc.), impulsionadas por um paradigma de interação
baseado no simples deslizar de um dedo no ecrã (swipe), pretende
questionar a emergência de novos hábitos info-comunicacionais
que não remetem estritamente para uma lógica de competências
técnicas e operacionais, mas também para hábitos específicos de
interação (cultura swipe). Estes hábitos, quer nas escolhas e
interações realizadas pelos utilizadores (aceitar, descartar e
passar ao seguinte), bem como nas opções padronizadas e
algoritmicamente mediadas, sugerem novos cenários para os
comportamentos info-comunicacionais. Esta correlação entre
emergentes aplicações de dating e novos hábitos digitais. Estes
potenciais novos hábitos e comportamentos, apoiados numa
cultura swipe e de User Centered Design (UCD), permitem revelar
novas perspetivas no modo como a interação e os
relacionamentos se podem basear cada vez mais em interesses
descartáveis, efémeros e de escolha padronizada.
móvel atuam cada vez mais como mediadores e potenciadores de
laços sociais, encontramos propostas tecnológicas que
constantemente colocam novos desafios ao utilizador no modo
como este interage e comunica com os demais. Este artigo,
centrando-se em aplicações móveis que promovem laços sociais e
amorosos entre desconhecidos (como no caso do Tinder, Bumble,
Grindr, etc.), impulsionadas por um paradigma de interação
baseado no simples deslizar de um dedo no ecrã (swipe), pretende
questionar a emergência de novos hábitos info-comunicacionais
que não remetem estritamente para uma lógica de competências
técnicas e operacionais, mas também para hábitos específicos de
interação (cultura swipe). Estes hábitos, quer nas escolhas e
interações realizadas pelos utilizadores (aceitar, descartar e
passar ao seguinte), bem como nas opções padronizadas e
algoritmicamente mediadas, sugerem novos cenários para os
comportamentos info-comunicacionais. Esta correlação entre
emergentes aplicações de dating e novos hábitos digitais. Estes
potenciais novos hábitos e comportamentos, apoiados numa
cultura swipe e de User Centered Design (UCD), permitem revelar
novas perspetivas no modo como a interação e os
relacionamentos se podem basear cada vez mais em interesses
descartáveis, efémeros e de escolha padronizada.
Research Interests:
É difícil falar de consciência europeia uma vez que nas suas instituições mais representativas não se manifesta, nem parece promover-se, uma consciencialização acerca do ser europeu. Para atingir um tal resultado seria necessário, em... more
É difícil falar de consciência europeia uma vez que nas suas instituições mais representativas não se manifesta, nem parece promover-se, uma consciencialização acerca do ser europeu. Para atingir um tal resultado seria necessário, em primeiro lugar, reconhecer a importância de um projeto continental capaz de cultivar e fundamentar, de forma abrangente, a especificidade cultural da sua visão. Uma visão europeia ética e política, entendida, por exemplo, como resposta original e geral aos dilemas e aos perigos engendrados pela globalização. Recentemente esta posição foi tomada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck, o qual, no seu livro A Europa Alemã (2013), realçou a ideia de como a Europa deveria desenvolver e representar uma nova “moral mundial”, um “cosmopolitismo europeu”, contra os riscos ecológicos, da pobreza e da injustiça trazidos pela desregulamentada competição global dos mercados financeiros. Para Beck, a força desta vocação ética e política distintiva, focada numa prospetiva e numa estratégia de longo prazo, requereria, ao mesmo tempo, um paralelo redescobrimento das grandes obras culturais e artísticas presentes na história e no território europeu. Este processo multifacetado representaria, portanto, o possível desígnio para um percurso convergente à formação da própria autoconsciência continental
Research Interests:
O mundo inteiro é um hotspot, razão pela qual nos podemos mergulhar nele e interessarmo-nos à sua concretude, complexidade e opacidade sem a preocupação de devermos ficar desconectados das nossas redes de contactos. A nossa relação com o... more
O mundo inteiro é um hotspot, razão pela qual nos podemos mergulhar nele e interessarmo-nos à sua concretude, complexidade e opacidade sem a preocupação de devermos ficar desconectados das nossas redes de contactos. A nossa relação com o mundo baseia-se numa interconexão, destruturada mas permanente, de responsabilidades, necessidades, desejos e oportunidades que predispõem a qualidade das relações e dos comportamentos. Depois de quase trinta anos de ingénuo e tendencioso encantamento por tudo aquilo que se apresentou (e foi apresentado) como tecnologicamente inovador (e vendido como socialmente emancipador), podemos voltar a uma realidade que aguarda ser revalorizada nos seus vários contextos pelos seus diferentes agentes “onlife”, indo além dum ocioso clickativismo e de uma afásica convergência de likes. Sairmos da ideologia da humanidade aumentada, que acarreta as outras várias ideologias da inovação, prestação, velocidade, transparência e apoderamento, nos permite recontextualizar e encarar com mais seriedade as potencialidades transformadoras das realidades hipermediadas que habitamos.
