Revitalização de áreas industriais tendo por base a definição de estratégias de desenvolvimento do turismo

Co-authored with Costa, R. & Costa, C. and published in G. Seabra et al. (Eds.) (2007). Identidade Cultural e Desenvolvimento Local (Vol. 3, pp. 867-874). Actas do X Encontro Nacional de Turismo de Base Local. João Pessoa: Universidade João Pessoa. (ISNN 1808-9755)

O sector do turismo tem vindo a evoluir de uma forma excepcional. A sua dinâmica e importância económica faz com que este sector tenha vindo a ascender a prioridade estratégica em vários países, e em Portugal particularmente. O impacte económico produzido pelo sector do turismo ao nível nacional é de grande relevância. Contudo, deve tomar-se em consideração que os verdadeiros impactes criados pelo turismo são de nível local. Neste sentido é fundamental que o nível local possua uma maior intervenção ao nível do sector do turismo, de forma a geri-lo e planeá-lo criteriosamente. Os municípios devem dotar-se de instrumentos efectivos e eficientes de gestão do território. Devem possuir indicadores fiáveis em termos das suas capacidades de oferta e procura que lhes permitam obter um conhecimento da forma como o turismo se desenvolve dentro das suas fronteiras, e lhes possibilite actuar e perspectivar as dinâmicas de crescimento e desenvolvimento em termos futuros. O principal objectivo deste artigo é analisar um estudo de caso prático realizado pelo grupo de investigação da Universidade de Aveiro no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo para o concelho do Seixal. Pretende-se apresentar a estratégia de desenvolvimento definida para uma área urbana localizada nos limites de uma metrópole, Lisboa. O referido Plano Estratégico encontra-se também a ser analisado como um exemplo de boas práticas ao nível local, de uma tese de doutoramento em turismo.

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    REVITALIZAÇÃO DE ÁREAS INDUSTRIAIS TENDO POR BASE A DEFINIÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO DO TURISMO Rui Costa
    Universidade de Aveiro Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial rcosta@egi.ua.pt
    
    Carlos Costa
    Universidade de Aveiro Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial ccosta@egi.ua.pt
    
    Zélia Breda
    Universidade de Aveiro Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial zelia@egi.ua.pt
    
    Resumo O sector do turismo tem vindo a evoluir de uma forma excepcional. A sua dinâmica e importância económica faz com que este sector tenha vindo a ascender a prioridade estratégica em vários países, e em Portugal particularmente. O impacte económico produzido pelo sector do turismo ao nível nacional é de grande relevância. Contudo, deve tomar-se em consideração que os verdadeiros impactes criados pelo turismo são de nível local. Neste sentido é fundamental que o nível local possua uma maior intervenção ao nível do sector do turismo, de forma a geri-lo e planeá-lo criteriosamente. Os municípios devem dotar-se de instrumentos efectivos e eficientes de gestão do território. Devem possuir indicadores fiáveis em termos das suas capacidades de oferta e procura que lhes permitam obter um conhecimento da forma como o turismo se desenvolve dentro das suas fronteiras, e lhes possibilite actuar e perspectivar as dinâmicas de crescimento e desenvolvimento em termos futuros.O principal objectivo deste artigo é analisar um estudo de caso prático realizado pelo grupo de investigação da Universidade de Aveiro no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo para o concelho do Seixal. Pretende-se apresentar a estratégia de desenvolvimento definida para uma área urbana localizada nos limites de uma metrópole, Lisboa. O referido Plano Estratégico encontra-se também a ser analisado como um exemplo de boas práticas ao nível local, de uma tese de doutoramento em turismo. I. Enquadramento internacional e nacional I.1 Tendências Internacionais O sector do turismo constitui-se como um dos principais sectores económicos mundiais, tendo obtido uma evolução assinalável a partir, principalmente, da década de 50, onde o número de chegadas de turistas internacionais atingiu os 25 milhões de pessoas. Em 2005, o número de chegadas de turistas internacionais ultrapassou os 808 milhões de chegadas. Em termos de receitas do turismo internacional, e considerando que o turismo representa aproximadamente 7% das exportações mundiais de bens e serviços, a sua evolução foi ainda superior, ultrapassando em 2005 os 547,8 biliões de Euros. (OMT, 2006) Para além disso a Organização Mundial do Turismo prevê que o sector do turismo continue a crescer ao nível destes dois indicadores, número de chegadas de turistas internacionais e volume de receitas originadas pelo turismo internacional. atingindo em 2020 os 1,6 biliões de chegadas de turistas internacionais o que representa, sensivelmente, a duplicação do actual valor do turismo. (OMT, 2006) O sector do turismo tem vindo a sofrer profundas alterações ao longo dos últimos anos que têm implicações na forma como o sector opera e se desenvolve. Em termos económicos denota-se um aumento progressivo no rendimento das famílias que por sua vez originam um
    
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    aumento do rendimento disponível. Para além disso, o envelhecimento da população mundial aliado ao facto das pessoas terem cada vez mais tempo disponível para as actividades de recreio e lazer, irá permitir que a população mundial viaje mais e para destinos cada vez mais longínquos. Os próprios hábitos de consumo, gostos e preferências dos turistas têm vindo a alterar-se significativamente. A procura por destinos diferenciados e por novos produtos irá originar a opção por viagens mais culturais e educacionais, tornando também os turistas mais exigentes na qualidade do serviço prestado. Observa-se que as perspectivas de crescimento do sector do turismo, centram-se, principalmente, na procura de destinos emergentes, e de novos produtos, associados às questões da natureza, da cultura e do património. Apesar do turismo sol e praia continuar a atrair muitos turistas para os destinos, constituindo-se como principal produto, verifica-se um crescimento significativo pela procura de novos produtos ao nível do turismo de negócios, do turismo cultural e patrimonial e do turismo de natureza. I.2. Tendências Nacionais O crescimento do sector do turismo a nível internacional tem tido implicações positivas no crescimento e desenvolvimento deste sector em Portugal. Observa-se um crescimento considerável do turismo ao nível de vários indicadores, onde se destacam o número de entradas de visitantes internacionais e o volume de receitas do turismo internacional. Em 2004, Portugal registou 27,5 milhões de entradas de visitantes internacionais e 6.65 biliões de Euros de receitas do turismo internacional. (DGT, 2005) No que se refere ao principal motivo de visita, o lazer, recreio e férias continuam a ser apontados por mais de 54% dos visitantes como o principal motivo de visita a Portugal. A visita a familiares e amigos, questões de saúde ou religiosas constituem-se também como um dos principais motivos de visita. (DGT, 2005) Contudo, Portugal continua a apresentar um conjunto de áreas problema que limitam o crescimento e desenvolvimento do sector do turismo. Regista-se uma grande dependência num reduzido número de mercados, sendo o mercado espanhol aquele que detém um maior peso no número total de visitantes internacionais, uma vez que este mercado representa mais de 75% do total de visitantes (turistas e excursionistas). (DGT, 2005) Observa-se, também, uma contínua redução do tempo médio de permanência nos últimos anos, o que origina graves implicações para a economia e para o sector do turismo em particular, uma vez que a redução do tempo médio de permanência origina uma redução no total dos gastos dos visitantes. Contudo, no que se refere aos gastos dos excursionistas registase uma ligeira subida ao longo dos últimos anos. No que se refere ao mercado doméstico, observa-se que este tem vindo também a evoluir favoravelmente, principalmente desde 1996. A partir de 1997 a percentagem de portugueses que fizeram férias cresceu consideravelmente, tendo obtido taxas de realização de férias excepcionais, chegando mesmo, em 1999 e 2000, a ultrapassar os 70%. Nos últimos anos, o índice de realização de férias tem vindo a diminuir ligeiramente, no entanto entre 2005 e 2006 verificou-se um decréscimo acentuado da taxa de realização de férias (9,5%) que atingiu os 50,7%.Contudo, regista-se o facto de 70% dos indivíduos que fizeram férias optaram por se deslocar para fora da sua residência habitual. (DGT, 2006) Observa-se, também, que o aumento do tempo disponível das pessoas para as actividades de lazer e recreio não se tem vindo a reflectir, nos últimos anos, no aumento da realização de ‘mini-férias’ nas pontes e fins-de-semana. De facto, após um crescimento excepcional até 1999, período onde as férias de curta duração nas pontes e fins de semana se situou nos 32%, esta tem vindo a decair ao longo dos últimos anos, registando em 2006 taxas que rondam os 22%. (DGT, 2007) Para além disso, observa-se uma maior tendência para a repartição das férias por um maior número de períodos. Em 2006, regista-se que mais de 40% das pessoas que fizeram férias,
    
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    optaram por realizá-las em dois ou três períodos. Refira-se que esta tendência para uma maior repartição dos períodos de férias, permite uma redução da sazonalidade, contudo, implica também uma redução do tempo de estada no destino. (DGT, 2007) Nesse sentido, considera-se fundamental que as estratégias definidas para o sector do turismo se direccionem claramente para a resolução dos principais constrangimentos que afectam o sector. Para além disso, e de forma a minimizar os constrangimentos apontados, é indispensável que haja uma aposta clara no desenvolvimento de produtos na área do património e da cultura, áreas centrais para a resolução deste conjunto de problemas. II. Importância do sector do Turismo ao nível local O sector do turismo em Portugal tem-se caracterizado, ao longo dos últimos anos, por um crescimento acentuado, conforme demonstram os dados estatísticos analisados na secção anterior, principalmente ao nível dos indicadores número de chegadas de turistas internacionais, taxa de gozo de férias e taxas de gozo de pontes e fins de semana. Este crescimento acentuado tem-se vindo a notar principalmente ao nível dos impactes positivos que o crescimento e desenvolvimento deste sector induz na economia. O turismo é uma importante fonte de riqueza, devido aos rendimentos e empregos que cria, e gera efeitos multiplicadores de rendimento e emprego significativos. Nesse sentido, é fundamental gerir estes efeitos positivos no sentido de os optimizar e proporcionar o alavancamento das economias locais, melhorar as condições de vida da população local, o fortalecimento da base económica regional e local, a dinamização dos serviços e comércio local, e a preservação do património. Para além disso, e apesar de o turismo ser um fenómeno global, os impactes originados por este sector sentem-se principalmente ao nível local. Ou seja, é ao nível local que se criam os empregos, que se dinamizam as actividades económicas locais, e que o efeito multiplicador mais se faz sentir. Vários autores referem explicitamente que ‘é ao nível local que se sentem os impactes originados pelo turismo’. (Costa, 2004; Hall and Page, 2002; Sharpley and Telfer, 2002) É também ao nível local que questões como o abastecimento de água, a construção de infraestruturas, o saneamento e a recolha de lixos são definidas, e têm implicações directas na vida da comunidade local e dos próprios turistas. Daí considerar-se fundamental que determinadas estratégias, medidas ou acções devem ser definidas ao nível local, uma vez que é aí que os seus impactes se fazem sentir. Por outro lado, o turismo, quando bem gerido e planeado, pode funcionar como uma oportunidade para a resolução de determinados problemas que os municípios enfrentam, (como a recuperação urbana, a preservação do património, a melhoria da qualidade de vida das populações) e que aparentemente não estão ligados ao sector do turismo. Tendo em atenção a importância deste sector para o desenvolvimento económico local dado que as potencialidades que possui são enormes, é fundamental gerir e planear este sector de uma forma adequada, que permita um crescimento e desenvolvimento sustentado do sector. III. O Sector do Turismo no Seixal III.1. Breve caracterização O município do Seixal situa-se na Península de Setúbal e pertence à Área Metropolitana de Lisboa. Este concelho ocupa uma área de 94 km2 e integra 6 freguesias. De acordo com os Censos de 2001, o município do Seixal possui mais de 150 mil habitantes afirmando-se como o segundo concelho com mais população na sua região envolvente, designada de Península de Setúbal, e o décimo segundo a nível nacional. A partir dos anos 70, o concelho do Seixal apresentou um crescimento populacional muito elevado dando origem a um crescimento populacional que se ficou a dever à melhoria das acessibilidades e da mobilidade dos transportes públicos relativamente a Lisboa, e também à
    
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    fixação da indústria que originou a necessidade de mão de obra, e à necessidade de procura de habitação a preços mais acessíveis. O principal recurso natural do concelho é a Baía do Seixal. No entanto, o Seixal possui também uma oferta variada de equipamentos culturais, desportivos e de lazer para uso da população residente e dos seus visitantes. Regista-se uma aposta forte na preservação dos valores patrimoniais que representam a história do município, como é o caso do Alto Forno da Siderurgia Nacional, entre outros. III.2. Análise de Mercado A definição da estratégia para o turismo teve em consideração os três níveis de mercado analisados, o mercado internacional, o mercado nacional e o mercado dos residentes. De acordo com as previsões da Organização Mundial do Turismo, o sector do turismo em termos internacionais continuará a crescer. Contudo irão emergir novas formas de turismo diferentes daquelas que existem actualmente, ou seja, o sector do turismo irá crescer em segmentos associados à área dos negócios, educação, formação, conhecimento, turismo urbano, cultura e património. Em Portugal, o crescimento do sector do turismo deverá acompanhar as perspectivas de crescimento a nível internacional. Prevê-se que a região de Lisboa, onde se insere o município do Seixal, irá continuar a crescer. Nesse sentido, o município do Seixal deverá ter como objectivo, numa fase inicial, atrair turistas inseridos no mercado de proximidade que é Lisboa. O município do Seixal constitui-se como um município de grande dimensão da Área Metropolitana de Lisboa, dado que possui um elevado número de população residente. O mercado dos residentes deve ser aproveitado, uma vez que oferecem condições excepcionais para o desenvolvimento de actividades de lazer, recreio, cultura e património. IV. Estratégia para o sector do Turismo no Seixal A inventariação e cartografia dos recursos turísticos existentes no concelho do Seixal permitiu observar que a Baía do Seixal é uma das principais, senão mesmo a principal, imagem de marca do concelho do Seixal. Permitiu também verificar que a maior parte dos recursos turísticos existentes no município se polarizam em torno da Baía. Nesse sentido, considera-se que no curto e médio prazo a estratégia de desenvolvimento para o sector do turismo para o município do Seixal esteja centrada em redor da Baía. Uma estratégia assim definida permite uma maior eficácia nas medidas e acções a serem implementadas no plano, bem como uma maior integração de recursos e uma diminuição dos gastos associados à construção de infra-estruturas e estratégias de suporte à estratégia definida. IV.1. Imagem A imagem do destino ‘Seixal’ teve por base a definição dos produtos âncora identificados através de uma inventariação de recursos turísticos exaustiva e pormenorizada. A partir dessa inventariação foram definidos três produtos ancorantes da imagem que representam aqueles que são os produtos turísticos primários do município do Seixal. A Imagem definida para o destino Seixal deve assentar no binómio, ‘Seixal – Arqueologia Industrial’, e deve ser materializada através de um triângulo de produto assente em três produtos ancorantes da imagem: Arqueologia Industrial Educação e conhecimento Cultura / Lazer / Recreio Refira-se que a imagem definida teve por base um conjunto de pressupostos analisados e que sustentam a escolha efectuada. O destino Seixal deve afirmar-se tendo por base uma imagem
    
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    forte que o diferencie claramente de outros destinos (Conceito de Uniqueness Diferenciação). De forma a ser facilmente identificável (Identificação), o destino Seixal deve construir a sua imagem tendo por base a sua história, as suas tradições e as suas raízes culturais, económicas, sociais e ambientais. Para além disso, a sua organização e comercialização deve assentar num número restrito de ‘clusters’ de oferta que permitam transmitir uma imagem clara dos produtos existentes (Legilibilidade). Considera-se também que a imagem do Seixal deve possuir uma massa crítica de produtos, ou seja, deve estar associada a um conjunto de recursos que possam ser convertidos em produtos com interesse para atrair visitantes. Os recursos agregados em ‘clusters’ de oferta devem, também, possuir massa crítica de negócios (Sustentabilidade Económica) que permita a sua viabilidade em termos organizacionais e comerciais. IV.2. Projectos Estruturantes para a área do Turismo A definição dos projectos estruturantes para a área do Turismo teve por base a inventariação de recursos turísticos existentes no concelho do Seixal. A partir da inventariação de recursos identificaram-se aqueles que possuíam ‘massa crítica’, ou seja, tivessem a capacidade de, por si só, ou agregados a um ‘cluster’ de recursos, atrair visitantes para a área. A análise dos pressupostos considerados para a definição da imagem permitiu identificar esse conjunto de recursos, que agregados a uma estratégia de desenvolvimento, serão a base de suporte da estratégia de desenvolvimento do turismo. Nesse sentido, a implementação da estratégia de turismo compreende a criação de duas Rotas (Rota da Arqueologia Industrial e a Rota da Ecologia e da Faina no Rio Tejo) e de um Motor de Animação (Seixal Cultural), associado aos eventos e iniciativas realizados nas áreas da cultura, do recreio, do desporto e da animação. As duas Rotas funcionam como os elementos estruturantes da oferta de recursos do município, uma vez que agregam um conjunto de recursos com ‘massa crítica’ e capacidade para atrair visitantes. Pretende-se que o motor de animação funcione, também, como elemento de atracção de visitantes e que ao mesmo tempo funcione como elemento de animação da Rota da Arqueologia Industrial e da Rota da Ecologia e da Faina no Rio Tejo. IV.2.1. Rota da Arqueologia Industrial O Seixal é considerado como um dos concelhos do país em que a sua história e evolução melhor representam aquilo que foi a evolução industrial de um país como Portugal. De facto, neste concelho estão representados vários períodos da história industrial do país. Neste concelho encontram-se vestígios do período romano, medieval, moderno e contemporâneo. A sua localização junto ao rio Tejo permitiu, também, o desenvolvimento de actividades económicas (Moinhos de Maré, as Antigas Secas do Bacalhau, os Estaleiros Navais) para a subsistência das populações que aí se fixavam. Para além disso, encontram-se neste município indústrias na área dos têxteis, da cortiça, do vidro e da pólvora negra que se instalaram no concelho do Seixal, a partir da segunda metade do século XIX, e que tornaram o concelho do Seixal fortemente industrial e aglutinador de mão de obra. A instalação da Siderurgia Nacional no concelho do Seixal, inaugurada em 1961, e a construção da Ponte sobre o Rio Tejo, que permitiu uma maior mobilidade das pessoas, originou uma maior dinamização e económico e social do concelho. Conforme se demonstra o Seixal constitui-se como o elemento vivo da história da indústria em Portugal, dado que possui um conjunto de recursos único, na área da indústria, e com massa crítica para atrair visitantes, o que lhe permite obter vantagens comparativas relativamente a outros destinos. Nesse sentido considera-se que o Seixal deve criar uma rota que integre este conjunto de recursos num pacote de oferta para comercialização. A Rota da Arqueologia Industrial está
    
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    estruturada tendo em conta a oferta existente devendo integrar os recursos constantes da Tabela IV.2.1.1 (Anexo I). Deverá ser criado um Centro de Interpretação sobre a História da Indústria em Portugal, onde os visitantes possam obter uma maior informação sobre a história da indústria em Portugal e do concelho do Seixal em particular. Este Centro terá a função de recepção dos visitantes, podendo também ter uma função comercial ou de diversão. IV.2.2. Rota da Ecologia e da Faina no rio Tejo A localização do concelho do Seixal, junto ao rio, foi fundamental para a fixação de pessoas em torno da Baía do Seixal. Esta fixação de pessoas permitiu o desenvolvimento de actividades económicas e de profissões associadas ao rio e à faina no Tejo. O Seixal possui uma grande variedade de recursos naturais, dos quais se destacam o rio Tejo e a Baía Natural. Os sapais existentes ao longo da Baía, os elementos da flora e da fauna, bem como a Restinga da Ponta dos Corvos (península com cerca de 4 km de comprimento), constituem-se, também, como recursos naturais excepcionais. A existência deste conjunto de recursos associados ao rio e à baía, permitem concluir que existe uma ‘massa crítica’ de recursos na área do ambiente que possibilita uma oferta turística que tenha por base esses mesmos recursos. Nesse sentido, deve-se elaborar uma rota que associe este conjunto de recursos e que tenha a capacidade para atrair visitantes. A Rota da Ecologia e da Faina no Rio Tejo, projecto estruturante do plano de desenvolvimento do turismo para o concelho do Seixal deve integrar os recursos constantes da Tabela IV.2.2.1 (Anexo II). Para esta Rota devem ainda ser desenvolvimentos os seguintes projectos estruturantes: (i) Centro de Acolhimento da Rota da Ecologia e Faina no Tejo (ii) Centro de Interpretação sobre a Ecologia e a Faina no Rio Tejo (iii) Centro de desportos náuticos não motorizados (iv) Construção de um Posto de Observação da Flora e Fauna nas zonas de Sapal IV.2.3. Motor de Animação ‘Seixal Cultural’ As novas tendências que se têm vindo a fazer sentir ao nível do sector do turismo, que se prendem com alterações ao nível do perfil e das necessidades dos visitantes, e de uma maior disponibilidade para o lazer e recreio, leva a que as áreas da cultura e do recreio, em particular, assumam um papel de maior importância no crescimento e desenvolvimento do turismo. Aliado a estas duas áreas deve-se também associar o desporto, uma vez que os visitantes se interessam e procuram destinos com vocação nas áreas do desporto de lazer e ‘fitness’. Para além disso, estas áreas desempenham um papel fundamental na resolução de determinados problemas que afectam o crescimento e desenvolvimento do sector do turismo em Portugal, como a diminuição dos tempos médios de permanência e a diminuição do valor dos gastos dos visitantes. Estas duas áreas permitem atrair e incentivar os visitantes a permanecerem mais tempo no destino, uma vez que podem ocupar os seus tempos de lazer e recreio nas actividades e eventos realizados no destino. Como se demonstrou em secções anteriores o mercado dos residentes no Seixal possui um enorme potencial. Nesse sentido, considera-se fundamental assentar a estratégia para o turismo numa vertente de animação para as populações locais, isto é, a construção de equipamentos e infra-estruturas, bem como a própria organização de produtos deve ser pensada de forma a melhorar e qualificar os níveis de vida da população local. No Seixal, existe um elevado número de associações e colectividades ligadas às áreas da cultura, do lazer e recreio, e do desporto. Estas associações e colectividades possuem uma oferta cultural qualificada e diversificada. Para além disso, existe no concelho do Seixal um
    
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    conjunto de equipamentos na área do lazer e do recreio e do desporto com várias iniciativas direccionadas para um público jovem. Contudo, essa oferta variada nas diversas áreas, encontram-se dispersas e desarticuladas, apesar de se reconhecer a sua importância individual. Esta situação contribui para que o concelho do Seixal não possua uma oferta estruturada nas áreas da cultura, do lazer e do recreio, e do desporto. Pretende-se com a criação do Motor de Animação ‘Seixal Cultural’ articular esta oferta variada nas diversas áreas, de forma a criar uma imagem forte de um concelho direccionado para as áreas da cultura, do lazer e do recreio, e do desporto. Considera-se também fundamental que estas iniciativas nas áreas referidas se devem posicionar como complementares às duas rotas apresentadas nas secções anteriores. As duas rotas referidas integram a componente da oferta do destino ‘Seixal ao longo do ano’ (‘Seixal all year round’), as iniciativas nas áreas da cultura, do lazer e do recreio, e do desporto, funcionam como os motores de animação das Rotas e do concelho do Seixal. IV.3. Governância O sector do turismo no Seixal deve desenvolver uma estrutura de coordenação e liderança para o destino. Essa estrutura pode ser desenvolvida aproveitando a organização, logística, o conhecimento e os recursos humanos existentes ao nível do Gabinete de Turismo do município do Seixal. A nova estrutura organizacional, assente na estrutura já existente na Câmara Municipal, deve assumir a função de Organização de Gestão do Destino Seixal. Esta organização deverá ter como tarefas prioritárias a concepção da Imagem do Destino Seixal. Terá também a responsabilidade de concepção e definição dos materiais de promoção relativos aos recursos, equipamentos, infra-estruturas e eventos existentes na área do turismo no concelho do Seixal. A recolha da informação estatística também deverá ser assegurada por esta organização, devendo centrar a sua análise na identificação e caracterização dos visitantes do concelho, bem como na identificação dos graus de satisfação, expectativas e padrões de qualidade da oferta de produtos existentes no concelho. Deverá também ser criado uma rede de Centros de Informação localizados nos principais pontos de contacto com os visitantes. De forma a aumentar a legibilidade da oferta de produtos deverá ser criado um Plano de Sinalização adequado que permita a identificação e acesso aos recursos, equipamentos e infra-estruturas existentes. É fundamental a definição de uma estratégia de captação de investimento para os projectos identificados no plano estratégico e outros projectos que daí possam advir. A estrutura organizacional a desenvolver deverá coordenar e apoiar futuros investidores na área do turismo no município do Seixal. A organização deverá também fomentar a realização de acções de formação e qualificação de recursos humanos em torno dos produtos e sectores empresariais existentes na área do turismo naquele destino. V. Referências Bibliográficas Costa, C M M (coord.), 2005, Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo para o concelho do Seixal, Câmara Municipal do Seixal Costa, C M M, 2004, Turismo e Poder Local, in Actas XIV Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Funchal DGT, 2005, O turismo em 2005, Direcção Geral do Turismo, Lisboa DGT, 2007, Férias dos Portugueses 2006 – Síntese dos aspectos mais relevantes, Direcção Geral do Turismo, Lisboa
    
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    Hall, C M Page, S J, 2002, The Geography of Tourism and Recreation – Environment, Place and Space, Routledge, London, 2nd Edition Sharpley, R Telfer, D, 2002, Tourism and Development – Concepts and Issues, Channel View Publications, Clevedon WTO, 2006, World Tourism Barometer, World Tourism Organization, Madrid, October, Volume 4, Issue 3 Anexo I
    TABELA IV.2.1.1 - RECURSOS A INTEGRAR A ROTA DA ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL Actividades Séc. XV 1855 1894 Séc. XX 1905 1910 Séc. XX 1926 1958 1961 Moinho de Maré de Corroios Fábrica de Laníficios de Arrentela Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços Forno de Fundição da Quinta da Trindade Fábrica de Cortiça Mundet Sociedade Lisbonense de Pesca de Bacalhau Forno de Cal da Azinheira Lagar de Azeite do Pinhalzinho Lagar de Azeite da Cooperativa Agrícola de Almada e Seixal Alto Forno da Siderurgia Nacional
    
    Anexo II
    TABELA IV.2.2.1 - RECURSOS A INTEGRAR NA ROTA “A ECOLOGIA E A FAINA NO TEJO” Antigo Terminal Fluvial do Seixal Ponta dos Corvos Lago de Maré da Quinta da Fidalga Zonas de Sapal Núcleo Naval de Arrentela Embarcações Tradicionais Alto de Don’Ana - Mundet Projecto do Parque Histórico-Natural do Brasileiro Rouxinol

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