Papers
Imagine there's no rural - The Transformation of Rural Spaces Into Places of Nature Conservation in Portugal
published in 'European Urban and Regional Studies', vol.15, nº 2, pp.159-171 (2008)
One of the most relevant issues in the growing (social and institutional) identification of the environment, nature and rural regions is the creation of protected areas.This is held to be an important aspect in the conception of the countryside as an environmental reserve. As a consequence of the processes of industrialization and urbanization which have dominated modern societies in recent decades, as well as from global socio-economic transformation, considerable parts of European rural areas (mainly the southern ones and particularly the Portuguese ones) could essentially be considered as marginal spaces or agricultural areas of low income and productivity.This situation led the majority of Mediterranean countries and some peripheral areas of more central countries in the European Union (from the 1970s onwards) to respond to the pressures and recommendations of international agencies, scientific bodies and of society as a whole in order to convert remote rural areas into spaces for environmental and natural conservation and protection. Despite having some advantages, instituting rural spaces into environmental and natural conservation areas can also present important constraints. In this article we will discuss some problems in the conversion of Portuguese rural areas, as well as consequences for the future of rural regions in Portugal.
Key Words: local population participation • nature conservation • remote rural areas • rural transformation
¿Cómo proteger a las personas en las áreas protegidas?: el medio ambiente como vulnerabilidad en dos áreas protegidas portuguesas
published in 'Agrosociales - Revista Española de Estudios Agrosociales y Pesqueros', nº 220, pp. 45-70 (2008)
Las áreas rurales de toda Europa están cada vez más identificadas como reservas de calidad ambiental. A pesar de la diversidad de las áreas rurales europeas, podemos reconocer la importancia que actualmente asumen las cuestiones ambientales en la construcción social e institucional de lo rural.
En el presente artículo se tratará de analizar el desfase frecuentemente observado entre las necesidades y criterios de la población rural y los objetivos y representaciones de la administración de las áreas protegidas, con el fin de demostrar que la protección del medio podría actuar como vulnerabilidad en algunos espacios rurales periféricos. Con base en la evidencia empírica recogida en dos áreas rurales protegidas de Portugal (el Parque Natural de Montesinho [PNM] y el Parque Natural de Alvão [PNAL]), haremos un análisis estas cuestiones, teniendo en cuenta los criterios de los habitantes acerca de los recursos y elementos naturales, acerca del estado de la protección del medio ambiente en sus zonas de residencia, así como las imágenes que tienen de sí mismos como guardianes de la calidad ambiental y del patrimonio cultural, los cuales la sociedad en general valora cada vez más. Tenemos también la intención de analizar las tensiones y conflictos que surgen de la impresión de la no coincidencia entre la protección de la naturaleza y la protección de las necesidades de los habitantes locales en términos de desarrollo socioeconómico.
Palabras claves: áreas rurales periféricas, medio ambiente rural, áreas protegidas, desarrollo rural.
One Rural, two Visions — Environmental Issues and Images on Rural Areas in Portugal
published in 'European Countryside', Vol. 1, nº 1, pp. 9-21 (2009)
In recent years rural areas, specially the most peripheral and remote ones, have become increasingly perceived and identified as spaces of outstanding environmental quality. This relatively new function of the rural, while widely recognized both socially and institutionally, is to some extent strange to local residents to whom the natural resources and the environmental aspects are mainly perceived from an utilitarian perspective. The exteriority of the measures and policies to preserve rural environment tends to place remote rural areas in a new subaltern position. Correspondingly, the social and institutional construction of rural areas as environmental reserves tends to create a new rural-urban dichotomy which may have important repercussions in terms of the future directions of rural development processes. We aim to discuss the abovementioned aspects, based on empirical evidence from two Portuguese rural areas. We conclude that there are two different visions about the rural — the rural to visit and the rural to live - conveyed respectively by the urban residents and the State and by the local inhabitants.
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Viver no rural, visitar o rural: a diversidade de percepções face ao ambiente e ao desenvolvimento
published in 'A Vez e a Voz - Revista da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Local', nº 92, pp. 9 - 19 (2008)
Ambiente e desenvolvimento são hoje duas faces da mesma moeda nos discursos político, académico e da opinião pública. Ambas as noções são, em grande medida, construções simbólicas e que por isso mesmo não possuem o mesmo significado para todos os agentes e actores sociais. Particularmente no que diz respeito às áreas rurais mais remotas, as concepções de ambiente e desenvolvimento são entendidas de forma bastante diferente por visitantes e residentes, originando percepções conflituais e motivando o aparecimento de uma nova dicotomia rural-urbano que é, actualmente, essencialmente social e cultural e que pode condicionar o futuro de muitas áreas rurais em Portugal. Com base em evidência empírica recolhida no Parque Natural de Montesinho e na Serra da Freita, debatem-se as diferentes concepções de ambiente e desenvolvimento, salientando a incompatibilidade de visões, perspectivas e interesses das populações locais e dos visitantes, assim como a sua importância nas estratégias de desenvolvimento local.
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Environment and development are nowadays inseparable concepts in the political, academic and public opinion discourses. Both notions are mainly symbolic constructions and do not possess the exact same meaning to all social actors and agents. Particularly in what concerns remote rural areas, the conceptions of environment and development are conveyed in a rather different way by visitors and resident populations. This situation originates divergent perceptions and induces the emergence of a new rural-urban dichotomy which is, at the present time, essentially cultural and social in scope and can, simultaneously, shape the future of many rural areas in Portugal. Based on empirical evidence collected in the Natural Park of Montesinho and Serra da Freita’ areas, we discuss the different conceptions of environment and development, bringing to the fore the incompatibility of visions, perspectives and interests of local populations and visitors, as well as its importance to local development.
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L’environnement et le développement sont aujourd’hui deux notions indissociables dans les domaines politique, académique et public. Les deux notions sont des constructions symboliques, et, à cet effet, n’ont pas le même sens pour tous les agents et acteurs sociaux. Particulièrement en ce qui concerne les zones rurales isolées, les conceptions d’environnement et de développement sont entendues de façon différente par les visiteurs et les populations locales. Cette situation provient des perceptions divergentes et induit l’émergence d’une nouvelle dichotomie rural-urbain qui est, aujourd’hui, essentiellement culturel et sociale dans sa portée et peut, en même temps, conditionner l’avenir de nombreuses zones rurales au Portugal. Se fondant sur des données empiriques recueillis dans le Parc Naturel de Montesinho et dans la Serra da Freita, nous discutons les différentes conceptions d’environnement et de développement, en mettant en évidence l’incompatibilité des visions, des perspectives et des intérêts des populations locales et des visiteurs, ainsi que son importance pour le développement local.
No meu quintal, nao!": Contributos para uma análise dos movimentos ambientais de raiz popular em Portugal (1974-1994)
with Teresa Fidélis, published in Revista Crítica de Ciências Sociais, nº 65. pp.151-173 (2003)
Este trabalho tem por objectivo principal fornecer uma visao genérica sobre a accao ambientalista de raiz popular em Portugal entre os anos de 1974 e 1994, tendo em conta os principais contornos de movimentos de base popular, bem como a sua articulaçao com as características mais globais da sociedade portuguesa relativamente às questoes ambientais e a sua relaçao com o contexto social, político e económico do país ao longo das duas décadas consideradas. No decorrer destas décadas, os movimentos ambientais de raiz popular, ainda que possam ser entendidos como resultado directo das alteraçoes verificadas no nosso país, caracteizam-se essencialmente como "Nimby" - "no meu quintal, nao"-, como é particularmente evidenciado pelo âmbito geográfico e temporal restrito das acçoes de protesto levadas a cabo, pela ênfase na defesa de interesses privados e/ou locais e ainda pela nao continuidade das acçoes ou pela ausência do alargamento a causas ambientais de natureza mais abragente.
«Uma voz lá dentro»... Expectativas, disposições e razões da população para participar no funcionamento do Parque Arqueológico do Vale do Côa
with Filomena Martins published in 'Revista Crítica de Ciências Sociais', nº 59, pp. 145-171 (2001)
Visa-se demonstrar que o processo de constituição do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) é representativo da vulnerabilidade do modelo de participação institucionalizado e procura criar-se condições para o debate em torno desta problemática.
No caso concreto, a vulnerabilidade decorre, em grande medida, de dois factores: por um lado, porque emerge directamente da opção de «não construção da barragem» e, por outro, porque existe uma falta de informação generalizada aos actores sociais e económicos da área considerada. O primeiro factor induz nos actores locais uma atitude de expectativa e mesmo de relativo «conformismo» em relação ao PAVC; o segundo poderá funcionar tanto positiva como negativamente quer pelas expectativas que parece criar, quer pela incapacidade que parece gerar nos indivíduos e entidades quanto ao assumir de uma posição clara frente a muitos dos aspectos que a criação e funcionamento do parque irá envolver.
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This article aims to show, on the one hand, that the process of establishment of the Vale do Côa Arqueological Park (PAVC) is representative of the vulnerability of the institutionalized model of participation, and on the other, to create conditions for a debate about this issue. In this specific case, vulnerability is the result, to a great extent, of two factors: first, because it is a direct issue of the option not to build the dam, and second, because there is a lack of dissemination of information among the social and economic actors in the area. The first factor creates in local actors an attitude of expectation and even of a relative "conformance" in relation to the PAVC; the second may work either in a positive or a negative way, both because of the expectations that it seems to create, and because of the incapacity that it seems to generate in individuals and entities in relation to the assumption of a clear position vis-à-vis the many aspects involved in the establishment and functioning of the Park, obviously including that of participation itself.
What do we think about floods? Social perception on flood risk in Águeda municipality, Portugal
Valente, S.; Coelho, C.; Figueiredo, E. e Pinho, L. published in in Warner, J.; Vink, M. e de Groot, W. (eds) Space for the River, Space for People? Dilemmas and Directions in Multifunctional flood planning, Center for Sustainable Management of Resources, Radboud University, Nijmegen, Holanda (2008)
Floodplains were traditionally considered as special locations to urban development (Montz, 2000), leading to the increase of human occupation in those areas as well as to a larger human exposure and vulnerability to flood risk.
Risk concept combines the likelihood occurrence of a disaster and the vulnerability of the natural and socioeconomic systems. However this concept is also “socially constructed” (Dake, 1992:26) and its definition depends also on the social perception, which is in addition formed by several factors. As Flynn and Slovic (2000: 109) state, “human beings invented the concept of risk to help them understand and cope with danger and the uncertainties of life”.
The focus of this study is the assessment of public perception about flood hazard in Águeda municipality, in the Central Region of Portugal. The frequent occurrence of flooding, as well as the population’s vulnerability and exposure to this risk, were decisive in the choice of this object of study.
The communities’ perception about floods causes and impacts, as well as about the strategies they use to prevent, mitigate and cope with floods was addressed using a survey applied to the local inhabitants. The empirical evidence showed that there is a clear tendency towards acceptance and coping with flood risk. This demonstrates that people that are used to live with flood risk accept the impossibility of elimination of the total risk, and recognizing sometimes the advantages of living in floodplains (Parker, 2000).
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Repor o rural no mapa: a comunicação como processo para a sustentabilidade em meio rural
Com João Correia, published in Simões, O. e Moreira, J. (Org.) Actas VII Congresso Ibérico de Estudos Rurais – Cultura, Inovação e Território, ESAC, Coimbra (publicação em CDrom – Tema: Mundo Rural. Representantes, representações e opinião pública) (2008)
Os pequenos aglomerados rurais, essencialmente os localizados nas áreas montanhosas do interior português continuam fora da agenda política nacional aparentemente com poucas oportunidades de subsistência num mundo globalizado. Em Portugal, como bem demonstrou um estudo recente de Oliveira Baptista (2006), mais de metade do território continental pode ser considerado como rural de baixa densidade.
A aposta política actual para as áreas rurais mais ‘remotas’ consiste no reforço da sua capacidade de auto-sustentação, na construção e fortalecimento das competências locais, no apoio a iniciativas de base comunitária e ainda no estabelecimento de redes de cooperação. Neste contexto, as estratégias de comunicação podem constituir um importante instrumento de desenvolvimento local, contribuindo para ’repor o rural profundo no mapa’.
Este trabalho pretende ser uma reflexão acerca destas questões, com base os dados recolhidos junto dos Presidentes de Junta de Freguesia e dos técnicos e responsáveis pelos projectos ‘Criar Raízes’ e ‘Cooperativa Mais Além’, com intervenção em aldeias das Serras da Freita e Arada (Rede Natura 2000). Defende-se que uma intervenção de proximidade, pela mediação/animação social e com recurso à investigação acção, articuladas com estratégias de comunicação externa, poderão ser uma resposta eficaz para o difícil envolvimento da população em acções de desenvolvimento sustentável.
Palavras-Chave: Desenvolvimento rural; sustentabilidade; comunicação; mediação social.
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Feridas abertas na terra: da degradação dos sítios mineiros à sua recriação patrimonial – o caso das Minas da Panasqueira
com Sandra Valente, published in Simões, O. e Moreira, J. (Org.) Actas VII Congresso Ibérico de Estudos Rurais – Cultura, Inovação e Território, ESAC, Coimbra (publicação em CDrom – Tema: Património: Ambiente e Diversidade Cultural) (2008)
«As minas abandonadas são, na maior parte das vezes, deixadas no esquecimento e abandono, sendo vistas como “feridas” abertas na terra…» (Pé-Curto et al., 2002:211). É perante a proliferação de áreas mineiras degradadas e abandonadas que tem aumentado o interesse pela reabilitação do seu património, no sentido do aproveitamento turístico e como potencial factor de desenvolvimento local (Brandão, 2002).
As Minas da Panasqueira, localizadas na Beira Interior de Portugal, são paradigmáticas desta realidade, representando parte fundamental da história e da identidade das comunidades locais vizinhas, e onde existem em curso algumas iniciativas de aproveitamento do seu património para fins turísticos.
Com esta comunicação pretende-se, assim, discutir a problemática do encerramento da exploração mineira, bem como avaliar as estratégias existentes para a recuperação do património, com base na evidência empírica recolhida, através de inquéritos por questionário à população local, de entrevistas às entidades políticas e ainda de análise documental.
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Oferta do Turismo no Espaço Rural – Estudo de Caso da Região Dão-Lafões
Com Lúcia de Jesus e Elisabeth Kastenholz, published in Simões, O. e Moreira, J. (Org.) Actas VII Congresso Ibérico de Estudos Rurais – Cultura, Inovação e Território, ESAC, Coimbra (publicação em CDrom – Tema: Património: Ambiente e Diversidade Cultural) (2008)
O turismo rural tem sido encarado como um instrumento de diversificação das economias rurais. Para que tal aconteça a oferta disponibilizada aos turistas não pode cingir-se ao alojamento e “pouco mais”. No caso dos empreendimentos de turismo em espaço rural (TER), se não se aliar a tranquilidade proporcionada nos empreendimentos com actividades de animação que identifiquem (na medida do possível) o lugar e a região perdem-se oportunidades e podem ganhar-se desilusões (dos turistas).
Baseados em entrevistas exploratórias feitas a cerca de 15% dos promotores de TER da Região Dão-Lafões (RDL) adiantamos que os promotores deste tipo de empreendimentos encaram a animação como algo “secundário” a proporcionar.
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O papel do Turismo no Desenvolvimento Rural em Portugal: A importância da integração das visões dos visitantes e residentes
Com Elisabeth Kastenholz, published in Actas do 14º Congresso da APDR – Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional – Desenvolvimento, Administração e Governança Local, Tomar, Instituto Politécnico de Tomar, pp.1963 – 1992 (2008)
O turismo em espaço rural tem sido frequentemente apresentado como um importante instrumento de desenvolvimento local. No entanto, a (ainda) escassa evidência empírica produzida em Portugal tem demonstrado os fracos impactos positivos desta actividade para os contextos rurais.
No desenvolvimento de um destino turístico de forma sustentável é importante ter em conta as diversas representações sobre o mesmo, assim como os interesses diferenciados de visitantes e de residentes. Através da compreensão das diferenças mencionadas e da reflexão acerca dos seus impactos no desenvolvimento quer da actividade turística, quer dos contextos socioeconómicos em que a mesma se insere, quer ainda da articulação entre ambos os aspectos, é possível fornecer algumas pistas sobre o futuro das áreas rurais.
Neste trabalho são debatidas diversas representações de distintos agentes e actores sociais face ao espaço rural como destino turístico (particularmente na região Norte do país), com base na evidência empírica produzida no âmbito de duas teses de doutoramento. Embora partindo de pressupostos diversos e utilizando metodologias distintas, ambos os trabalhos apontam para a existência de diferenças relevantes quer dentro do universo dos turistas em espaço rural, quer entre este e os residentes rurais.
Palavras-chave: Turismo rural, desenvolvimento rural, percepções de residentes e visitantes, segmentação do mercado, marketing de destino.
O TER na Região Dão-Lafões
Com Lúcia de Jesus e Elisabeth Kastenholz, published in Actas do 14º Congresso da APDR – Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional – Desenvolvimento, Administração e Governança Local, Tomar, Instituto Politécnico de Tomar, pp. 2018 – 2049 (2008)
As regiões rurais interiores são cada vez mais visitadas por turistas que procuram produtos diferentes dos destinos tradicionais de “sol e praia” e uma série de atributos só possíveis de encontrar em regiões que de certo modo podem ser qualificadas como marginais relativamente aos processos de desenvolvimento das áreas urbanas e litorais.
Mercê deste potencial, e também como forma de desenvolvimento das referidas regiões, tem vindo crescentemente a ser dada atenção a novas formas de turismo e ao desenvolvimento de novos destinos e produtos turísticos Dentro destes, integra-se o Turismo no Espaço Rural (TER).
Tal como noutras regiões do país, a Região Dão-Lafões (RDL) conta já com um número de empreendimentos considerável – cerca de ¼ dos empreendimentos TER da Região Centro. Com base na revisão de literatura e em algumas entrevistas exploratórias feitas a proprietários TER da região, procuramos fornecer algumas pistas de reflexão em torno do papel do TER enquanto instrumento de desenvolvimento local, nomeadamente no que toca à criação de sinergias entre empreendimentos TER e outras actividades económicas locais.
O Ambiente ao Serviço do Turismo? – Percepções dos promotores do turismo rural na área do Parque Natural de Montesinho
Com Justina Silvano e Elisabeth Kastenholz, published in Actas do 14º Congresso da APDR – Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional – Desenvolvimento, Administração e Governança Local, Tomar, Instituto Politécnico de Tomar, pp. 1754 – 1770 (2008)
Com base nos resultados de um estudo de caso, o artigo aborda a questão do desenvolvimento sustentável na área do Parque Natural de Montesinho, focalizando a perspectiva dos promotores do alojamento turístico inseridos nesta área.
Esta análise baseia-se em dados obtidos através de um inquérito por questionário realizado na área do Parque Natural de Montesinho, dirigido aos promotores do alojamento turístico identificado naquela área. O inquérito obteve 18 respostas válidas, contendo dados sócio-demográficos relativos aos promotores, informação sobre as motivações subjacentes à abertura da unidade, as atitudes e percepções relativamente ao desenvolvimento sustentável e ao ambiente, à questão do associativismo, aos impactos económicos produzidos no destino e sobre a percepção dos promotores referentes às motivações do turista em procurar este tipo de alojamento e a região (Silvano, 2006).
De que depende a percepção social da qualidade de vida? Uma análise exploratória para o concelho de Aveiro
Com João Marques, published in VI Congresso Português de Sociologia – Mundos Sociais: Saberes e Práticas , Lisboa, Universidade Nova de Lisboa,(2008)
Nesta comunicação é abordado de forma exploratória o conceito de qualidade de vida, salientando-se a sua complexidade e as dificuldades associadas à sua operacionalização e mensuração. São apresentados e discutidos alguns dos dados recolhidos no âmbito de um trabalho de investigação que teve como objectivo central a construção de um indicador de qualidade de vida para a cidade de Aveiro. A evidência empírica produzida permite perceber a diversidade na apreensão da qualidade de vida, bem como o papel que nela desempenham as variáveis socioeconómicas e de localização territorial.
Palavras-chave: qualidade de vida, indicadores e medida, percepção social
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Entre os riscos e os benefícios – análise da percepção social do risco em duas comunidades mineiras
Com Sandra Valente e Celeste Coelho, published in VI Congresso Português de Sociologia – Mundos Sociais: Saberes e Práticas , Lisboa, Universidade Nova de Lisboa (2008)
Nesta comunicação analisa-se a percepção social do risco em duas comunidades mineiras portuguesas (Panasqueira e Aljustrel). Esta discussão articula-se com o debate actual acerca da integração das preocupações ambientais na exploração mineira, assim como com os impactos desta actividade, essencialmente os associados ao declínio e encerramento da mesma, em termos sociais, económicos e ambientais. À semelhança do que tem sido apontado por diversos autores, a evidência empírica produzida permite concluir que, em termos das percepções sociais das populações locais, os riscos da actividade mineira são minimizados por referência aos benefícios económicos e sociais.
Palavras-chave: comunidades mineiras; percepção social de risco; riscos ambientais e socioeconómicos da actividade mineira.
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O conhecimento não cresce nas árvores: os desafios da sociedade do conhecimento e o mundo rural em Portugal
Com Pedro Ferrão, published in 'PER / Universidade do Algarve Actas do III Congresso de Estudos Rurais (III CER), Faro, Universidade do Algarve (2007)
Neste trabalho, de natureza exploratória, pretendemos debater os desafios e os constrangimentos que a chamada ‘sociedade do conhecimento’ coloca às áreas rurais nacionais, bem como as suas vantagens e desvantagens em termos de desenvolvimento rural. Numa perspectiva optimista, a ‘sociedade do conhecimento’ tem sido apresentada como uma forma de evitar a exclusão social e económica. No entanto, alguns estudos têm demonstrado que, designadamente as questões mais salientes da ‘sociedade do conhecimento’ – associadas às novas tecnologias da informação e comunicação, podem contribuir para reforçar a exclusão de certas categorias e contextos sociais, entre os quais se encontram os territórios rurais mais remotos e reforçar aquilo que alguns autores têm vindo a designar como a divisão digital rural-urbano.
Proteger o ambiente em Portugal: de quem? Para quem e para quê
published in APS (Org.) V Congresso Português de Sociologia – Sociedades Contemporâneas, Reflexividade e Acção, Braga, APS (2004)
Em Portugal, as análises relativas às Áreas Protegidas que ultrapassem os seus aspectos formais e tomem em consideração conflitos de interesses e legitimidades não são abundantes. Efectivamente, a maior parte da investigação científica realizada sobre estas áreas relaciona-se sobretudo com a caracterização dos seus elementos naturais e (embora em menor escala) com a análise socioeconómica. Tendo em conta esta realidade realizámos entre Junho e Dezembro de 1997, um Inquérito por Questionário às Áreas Protegidas então existentes em Portugal Continental , de modo a procurar conhecer o tipo de problemas com se debatem, os conflitos que ocorrem no seu interior, assim como obter alguns elementos úteis à sua caracterização.
Com este trabalho pretendemos dar conta de alguns dos resultados obtidos assim como fornecer algum material de reflexão acerca da temática da protecção do ambiente e da natureza em Portugal. Para tal, partimos da constatação de que a maior parte das Áreas Protegidas portuguesas foi instituída em espaços rurais ou com forte componente rural. A maior parte destes espaços protegidos possui população residente sendo que foi esta ocupação humana e os usos sociais dos elementos naturais que contribuíram para a sua fisionomia actual e para a consequente necessidade institucional de conservação dos elementos naturais, paisagísticos e socioeconómicos daqueles territórios. Aproximadamente 80% do território protegido em Portugal podem ser classificados como desfavorecidos. Apesar de este ser um reconhecimento relativamente comum, ao nível dos discursos institucionais de protecção do ambiente, o facto é que a criação e o funcionamento dos espaços protegidos portugueses não deram um contributo positivo para a fixação das populações e das suas actividades, como a análise relativa aos dados demográficos e socioeconómicos destes espaços confirma. As políticas de protecção do ambiente e da natureza em Portugal, no que se refere às Áreas Protegidas, têm sido implementadas sem ter em atenção as populações locais. Mais ainda, em alguns casos, as restrições e as regulamentações impostas no território destinam-se a proteger os recursos e os elementos naturais dos seus próprios construtores no quotidiano – i.e. os habitantes. A lógica subjacente a estes mecanismos de regulação dos usos sociais e económicos dos recursos naturais é, por vezes, perversa e favorece claramente os consumidores secundários (i.e. os visitantes) desses espaços protegidos, bem como os usos associados ao recreio e ao lazer que os mesmos fazem dos territórios que visitam.
O Sol na Eira e a Chuva no Nabal – Que rural propõem as políticas de desenvolvimento?
publishes in Actas do o V Colóquio Hispano-Português de Estudos Rurais – Futuro dos Territórios Rurais numa Europa Alargada, ESAB (2003)
O principal objectivo deste trabalho é dar um contributo para uma reflexão mais informada acerca das políticas de desenvolvimento rural, tendo como pressupostos essenciais as transformações ocorridas nas áreas rurais ao longo das últimas décadas, assim como as alterações nas representações sociais e institucionais acerca dessas mesmas áreas.
A falência dos modelos de desenvolvimento, assentes naquilo a que Silva (1982) chama o ‘paradigma do crescimento económico’, assim como o relativo fracasso dos principais mecanismos das políticas agrícolas (designadamente da Política Agrícola Comum) em conjunto com as profundas alterações ocorridas nas áreas rurais, provocaram o reconhecimento da necessidade de uma nova abordagem, mais integrada e multi-sectorial, de desenvolvimento em geral e de desenvolvimento rural em particular. Marcos particularmente importantes deste reconhecimento foram os documentos publicados pela CCE em 1988 – The Future of Rural Society – e pela OCDE em 1993 – What Future for our Countryside – que, de certo modo, vieram balizar as questões consideradas fundamentais em termos do novo desenvolvimento rural. Estes documentos marcam igualmente o nascimento de um espaço rural que se pretende multifuncional, com uma base económica diversificada e ainda reserva da qualidade ambiental. A multifuncionalidade que é actualmente reconhecida (sobretudo ao nível institucional, mas também a nível social) às áreas rurais (com particular ênfase para as mais tradicionais, remotas e marginalizadas) não tem sido, no entanto, materializada nos diversos programas e medidas de desenvolvimento rural. Não apenas se sobrevaloriza a função de recreio e lazer destas áreas, pela via da sua função ambiental, como, através dessa sobrevalorização, se tende a subalternizar o ponto de vista dos habitantes rurais e as suas necessidades sociais e económicas.
Sendo válidas para muitas áreas rurais do mundo ocidental, as afirmações anteriores ganham todo o seu relevo no caso português, que analisaremos com maior detalhe nesta comunicação. No entanto, ao pretender abordar as questões associadas às políticas de desenvolvimento rural em Portugal, o primeiro grande obstáculo com que nos deparamos é o da sua inexistência. Efectivamente, ao longo das quatro ou cinco últimas décadas, a ausência de preocupações institucionais (para além do interesse pelo sector agrícola) com as áreas rurais é o traço mais saliente. Esta situação conheceu uma ligeira alteração após a adesão de Portugal à União Europeia em meados dos anos oitenta. Apesar disso, a análise dos vários programas e medidas elaboradas e implementadas nas áreas rurais actualmente continua a não permitir que se fale de uma política de desenvolvimento, por um lado devido à ausência de articulação entre os diversos mecanismos e, por outro lado, devido à continuada concentração das preocupações no sector agrícola. Ao mesmo tempo, observamos que, em muitos desses mecanismos de desenvolvimento rural, é dada grande ênfase às questões do recreio e do lazer em associação directa com a função ambiental que as áreas rurais parecem crescentemente desempenhar no quadro da globalidade das sociedades contemporâneas.
Tendo por base a reflexão sobre os aspectos anteriormente mencionados, argumentamos que as políticas para o mundo rural em Portugal, ao mesmo tempo que reconhecem a importância desse mundo para a sociedade entendida globalmente e que para ele anunciam estratégias de desenvolvimento social e económico, acabam por se materializar em medidas que tendem essencialmente a reflectir as necessidades externas face àquele mesmo mundo. Tal descoincidência entre as intenções globais e as medidas específicas que são implementadas, levam-nos a concluir que apesar de se pretender sol na eira e chuva no nabal, na prática enfatizam-se apenas alguns aspectos, não se vislumbrando uma preocupação consistente na articulação entre as orientações e a sua materialização.
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Habitantes e visitantes: uma ‘Luta’ Inevitável?
Com Sandra Valente, published in V Colóquio Hispano-Português de Estudos Rurais – Futuro dos Territórios Rurais numa Europa Alargada, ESAB (publicado em CDrom) (2003)
É notório o progressivo reconhecimento social e institucional de que o Mundo Rural constitui um valor a preservar e a valorizar. Em 1988, a Comissão das Comunidades Europeias reconhece que «as áreas rurais não são apenas lugares onde as pessoas vivem e trabalham, mas desempenham ao mesmo tempo funções vitais para a sociedade como um todo», ou seja, do papel importante de produção de alimentos e matérias-primas, que continuam a desempenhar, estas áreas têm vindo a adquirir, sobretudo por parte dos habitantes ‘não rurais’ , extrema importância enquanto reserva cultural, social e ambiental, (e.g. Figueiredo, 1999).
As áreas rurais adquirem assim, novas dimensões e novos valores como espaços de recreio e lazer, como espaços de reserva de recursos e bens ambientais e também como espaços de memória e ‘herança’ cultural. «São os grupos sociais urbanos ou urbanizados os principais portadores desta redefinição social da ruralidade, a qual não se esgota na dimensão ambiental, antes transporta também dimensões de defesa do património e da cultura rurais.» (e.g. Lima e Reis, 1998). Esta situação traduz-se por sua vez na frequente procura de pessoas ‘não rurais’ por estes espaços, o que por sua vez, origina utilizações distintas do mesmo território por habitantes e visitantes, podendo reflectir-se na existência de conflitos e/ou constrangimentos. A esta dicotomia de visões está associada por sua vez, uma crescente competição de diferentes modelos de desenvolvimento para um mesmo território.
O caso de estudo é a Área da Serra da Freita, localizada no Centro de Portugal. Apesar da diminuição e envelhecimento progressivo da população e das graves carências em termos de serviços e infra-estruturas que demonstra, a extrema riqueza paisagística e cultural desta área tem desencadeado a crescente procura de visitantes.
Esta comunicação pretende analisar as diferentes percepções, necessidades e concepções em termos de Desenvolvimento Rural dos habitantes e visitantes desta área . De facto a procura desta área está sobretudo associada aos aspectos ambientais e culturais patentes na Serra da Freita. Contudo, as aspirações em termos de desenvolvimento sócio-económico dos residentes revelam-se muito distintas das dos visitantes: enquanto que os primeiros pretendem sobretudo o crescimento económico da área, com a criação de emprego e serviços, os segundos salientam a necessidade de manter a área ambientalmente intacta, sugerindo apenas a construção de infra-estruturas de apoio ao turismo. As recentes concepções do Mundo Rural enfatizam o papel das novas funções das áreas rurais, especialmente da função ambiental e recreativa, mas cremos que não se pode ignorar o facto destas áreas serem vividas por pessoas com necessidades e aspirações legítimas e que são os principais agentes na preservação e monitorização do território rural.
Somos da Condição da Terra
published in Portal Ambiente e Saúde, Fundação Calouste Gulbenkian/Universidade de Aveiro
A celebração, em 1970, do primeiro Dia da Terra nos Estados Unidos da América, que reuniu milhões de participantes, foi o corolário de um conjunto de preocupações ambientais que se vinham manifestando desde o início dos anos 60, na sequência de catástrofes ambientais e de descobertas científicas alarmantes sobre o esgotamento dos recursos naturais. Frequentemente apontado como o ‘Dia 1’ das modernas preocupações sociais e políticas com o ambiente , o dia 22 de Abril de 1970 representou igualmente o início de uma viragem na abordagem científica da relação entre a sociedade e o meio biofísico. Efectivamente, até à década de 70, exceptuando contributos da geografia e da antropologia, a história das ciências sociais em geral e da sociologia em particular, foi marcada por uma ruptura com o mundo natural. Tal ruptura deveu-se essencialmente a razões de afirmação e autonomização das ciências sociais e, em associação, à influência daquilo a que, por exemplo, Dunlap e Catton Jr. (1994) chamam a visão dominante do mundo ocidental. Esta visão não apenas marcou o conhecimento científico-social, mas principalmente o modo como as sociedades modernas se foram organizando e desenvolvendo, condicionando todo o futuro do nosso planeta .
Quase 40 anos depois sobre o primeiro Dia da Terra, o reconhecimento científico, político e social de que existe uma estreita associação entre os comportamentos sociais e os problemas ambientais, é agora uma evidência . Apesar deste crescente reconhecimento e do inegável alargamento da base social de preocupação com os problemas ambientais, sobretudo com aqueles que se associam directa ou indirectamente à saúde humana, as inúmeras investigações sociológicas desenvolvidas nos últimos anos, evidenciam um persistente fosso entre aquela preocupação global e os comportamentos e práticas dos indivíduos na defesa e preservação dos recursos naturais. Paralelamente, a necessária integração dos saberes das ciências naturais e das ciências sociais na compreensão e minimização dos problemas ambientais, é ainda um trabalho amplamente incipiente. As últimas décadas deixaram claro que as alterações e os problemas ambientais não podem continuar a ser encarados apenas como questões técnicas e do foro científico-natural. Como referia, em 1991, Howard Newby “os avanços das ciências naturais permitem o estabelecimento de parâmetros para medir as alterações ambientais, mas descrevem sobretudo os sintomas, negligenciando a explicação das causas. As causas repousam nas sociedades humanas e nos seus sistemas de desenvolvimento económico” que não é possível compreender sem convocar a sociologia e as demais ciências sociais. A proclamação, pelas Nações Unidas, do ano de 2008 como o Ano Internacional da Terra , tendo como mote Earth Sciences for Society, reforça a necessidade mencionada, colocando de forma definitiva a interdependência dos destinos do Homem e do planeta.
Coping with risk: analysis on the importance of integrating social perceptions on flood risk management mechanisms - the case of the municipality of Águeda, Portugal
(with Sandra Valente, Celeste Coelho and Luísa Pinho) in Journal of Risk Research, vol. 12, nº 5, pp. 581 - 602, 2009
The paper reflects on how populations prone to flood risk perceive such hazards and the way this perception has or has not been incorporated into the measures and mechanisms of flood risk management. The frequent occurrence of flooding, as well as the population's vulnerability and exposure to this risk, shows that the municipality of Águeda is a paradigmatic case for analysis of these issues. Similar to the rest of the country, the municipality of Águeda has been neglecting the multidimensional nature of flood risk. The data collected present some disparity between the proposals and technical perspectives regarding the management and mitigation of flood risk and the perception of local populations. In addition, neither knowledge of social perception of flood risk nor of the local communities is being integrated in a substantial and pro-active way, whether in the processes of policy-making or in the implementation of these policies. Empirical evidence equally shows that there is a clear tendency towards acceptance and coping with flood risk by the population in the municipality of Águeda. This seems to be connected to the local populations' recognition that though it is impossible to eliminate risk, there are at the same time advantages to occupying the floodplains.
Keywords: flood risk; risk assessment; risk perception; risk management; integration of lay and expert perspectives

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